Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

22 de janeiro de 2007

Aborto: Paula Teixeira da Cruz surpreendeu-me

«Entendo que a única questão que está em causa neste referendo é saber se a resposta que a sociedade tem para dar a uma mulher que pratica aborto é a prisão. E é o único momento, devo dizer, em que não tenho nenhum tipo de dúvida: não, não é!» (Paula Teixeira da Cruz no DN)

«Fala-se na liberalização do aborto mas liberalizado está ele agora porque não há regras, há um mercado clandestino e paralelo. Portanto, há razões filosóficas, razões de filosofia penal, sociais, e entendo ainda que há razões de profundíssimo respeito por quem se vê numa situação dessas. Essas mulheres merecem-me muito respeito.» (idem)

«O objectivo muito bem sintetizado numa frase de Bill Clinton: “Vamos torná–lo legal, mas raro e seguro.”» (ibidem)

Paula Teixeira da Cruz surpreendeu-me. Fez tábua rasa da hipocrisia — o que revela no mínimo coragem e desassombro numa mulher que é quem é. Assume uma posição clara e sem equívocos — o que é salutar e vai sendo raro nos políticos firmados e por firmar no espaço público.

Em contraste vivo com posições como a de Marcelo Rebelo de Sousa que apresenta argumentos racionais todos, sem excepção, apontando inequivocamente um único voto possível — o sim — e depois diz que vota não baseado em convicções morais e considerações obnóxias sobre a mulher dignas de um padre que não fez o seminário.