Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de julho de 2006

Abrupto: pobre e mal agradecido

«A investigação do que se passa continua e já tem alguns frutos» escreveu José Pacheco Pereira ontem no Abrupto, onde continua a sua estiolenta senda de vitimização, com a basbacaria não menos estiolenta a aplaudir.

Uma coisa é termos suspeitas. Outra, muito diferente, é contarmo-las na praça pública. Quando o fazemos, convém ter algum lastro.

Num post quezilento, lamuriento e defensório da sua “honra”, JPP disparata sobre «uma certa lama da blogosfera» que supostamente gostaria de ver o Abrupto “morto” e faz a assombrosa afirmação de que já «tem alguns frutos» a sua investigação.

Não cuidou o autor do Abrupto, infelizmente, de nos contar quem é a lama da blogosfera que gostaria de ver “morto” o seu blog.

Embora pretenda manter “toda a gente” suspensa do decurso das “investigações” não cuida de transmitir «os frutos», nem que seja numa versão abrégée para não prejudicar o curso das ditas.

Já na semana passada disparatara contra os ataques ao Abrupto sem explicar quem querereria atacar o Abrupto e porquê (pela sua intervenção política é que não deve ser, pois muito raramente faz comentário ou análise no Abrupto).

Quanto às suas leituras sobre a origem do “ataque”, não cuidou o autor do Abrupto de as fundamentar perante os comuns e insignificantes mortais, a quem terá de bastar a sua palavra de que está sob “ameaça”.

Não cuidou até ao momento de explicar a sua insistência na teoria do ataque direccionado à sua pessoa. Não publicou até ao momento um bit de informação que sustente a teoria, tornando gratuitas as suas afirmações.

José Pacheco Pereira desdenhou de quantos contributos lhe foram dados, não tendo publicado correio electrónico (o que é no mínimo estranho, devo confessar), e reagiu mal ao que tornaram público na web as alminhas que ainda lhe dão importância (não me refiro ao séquito de criados graves nem às escribas pagas) — sugestões de leituras que permitem perceber a importância crescente do spam e o seu impacto nas economia e cultura da rede, ou pistas directas de investigação, sugestões que, de resto, ele tinha encarecidamente pedido no seu blog que fizessem.

José Pacheco Pereira acha que «a mera existência de um blogue como o Abrupto» traz «um incómodo» à «mediocridade invejosa» e ponto final, por aí se ficam as explicações. A que tipo de incómodo se referirá? E o que considerará José Pacheco Pereira invejável no Abrupto? As imagens? As capas dos livros? O correio dos leitores? As citações literárias? É com isso que os “lamacentos” querem acabar?

Deve depreender-se das suas palavras: a) que tudo o que esteja fora do Abrupto e nele não seja louvaminhado (ou, condescende-se, o louvaminhe) pertence à categoria da mediocridade «igual na lama»; b) JPP está, já, a lançar os pios para nova cruzada santa (abater os infiéis incultos e tornar alvos os blogs que querem “matar” o Abrupto) com o nítido objectivo de fornecer a “sua” blogosfera de motivos que façam esquecer o putativo equívoco (e consequente desaire pessoal) do presente assunto.

A esta luz lamentavelmente egocentrista compreende-se a sua evocação final de Bernard Shaw sobre suinicultura. Eu por mim finalizo (post e assunto) recorrendo à citação popular: pobre e mal agradecido.

E é bom que arranje depressa culpados ou pelo menos os factos necessários e suficientes à comprovação das suas afirmações — sob pena de ficar muito mal visto neste retrato.