Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

11 de outubro de 2007

Ainda o PSD: crueldade indirecta

As eleições directas do PSD tiveram uma crueldade indirecta: destaparam uma das máscaras com que alguns seus militantes e apoiantes — falo em concreto dos casos de Marcelo Rebelo de Sousa e José Pacheco Pereira — se costumam apresentar ao público consumidor de media.

Ser analista político é uma coisa. Tentar manipular a opinião pública é outra. É claro que as duas actividades se misturam, não possuem fronteiras distintas, nenhuma comporta um código ético explícito. Além de se apresentar sóbrio, bem educado (oh well…) e digno, o que podemos exigir a um analista político? A um spinner? A um lobista?

Nada.

A crueldade é essa. A eleição de Menezes pelas “bases” do PSD — com aspas, porque parece que um partido deve ser comandado a partir das “elites” — deixou a nú, preto no branco, que as análises de Marcelo, sobretudo, têm um elevado grau de falibilidade e que a influência do intelectual no partido é nula (suspeito que o seja na política em geral; numa não menos cruel inversão de papéis e descontando a desproporção das audiências, Pacheco faz hoje o que Paulo Portas fazia nos anos 90: mói os responsáveis públicos que se coloquem mais a jeito).

Análise política é o que fazem António José Teixeira e Henrique Monteiro e, até certo ponto, Vasco Pulido Valente, entre outros exemplos que podia ir buscar. Uma pessoa diverte-se a ouvir Marcelo na RTP.

Eu adoro. Mas não é a mesma coisa.