Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de agosto de 2006

Análises fáceis

António tem um título incompreensível, os falsos anúncios dos blogues, para um post supostamente de análise ao Blogsvertise.

Obviamente que eles não dizem isso no site deles, falam de conversas e de promoção aos produtos dos clientes deles. É conversa da treta!»

O Blogsvertise tem o direito de promover o seu programa da forma que entender, desde que dentro da legalidade. É claro que o valor está nos links, ou enlaces, e não nos comentários dos autores, que (enquanto não temos web semântica) são totalmente irrelevantes para a economia da pesquisa em que se enquadra este negócio. Não precisa o Blogsvertise de afirmar e repetir a cada passo da sua documentação o que toda a gente que anda nisto sabe.

António dá a entender que o sistema não é transparente e independente. Independente, não vejo porque teria de ser, tratando-se de um negócio, ainda por cima privado. Quanto à transparência, penso que dificilmente poderia ser maior. Falta ao Blogsvertise expôr publicamente as suas próprias regras para aceitar ou não o trabalho de um blogger. Francamente, acho que é pedir demais, caro António.

Ao preço a que andam os enlances (sim, porque isto de optimização de sites, compra e venda de linques é um negócio de milhões) pagar 10 dólares por entrada é um negócio da China.”

Uáu. Caro António! Eu recebo até metade disso por enlace, diga-me onde! E olhe que o meu endereço é bom, rende, tenho um PageRank de 5/10 e veja o meu Alexa! Faço mais barato, vendo links de arquivo a 5 dólares!! (Na realidade um link pode até valer isso mas noutras circunstâncias. Mas esta informação não é gratuita, lamento. Tem um preço. Pague-o ou gaste-o em tempo para a encontrar.)

A objecção final de António ao programa é ridícula.

Ele não obriga, ou sequer sugere (e desconfio que não estão sequer interessados), que os blogueres sejam honestos para com os leitores e deixem uma nota a mencionar a natureza comercial da entrada”

Passando por alto o escorregadio conceito de honestidade quando aplicado a um meio tão díspar como a blogsfera, o sistema não obriga ou sugere o contrário e deixa bem explícito que o post a escrever é tão livre que não tem, sequer, de ser sobre o que está hiperligado. É óbvio, como António “descobriu” antes, que o que se vende é o link e não o post. O que tem isto a ver com conceitos de honestidade (partindo do falso princípio de que haveria uma obrigatoriedade de honestidade para os bloggers) é algo que me escapa. Eventuais resquícios da muito antiga confusão entre blogging e jornalismo?!? Que arcaico.

A análise de António faz algum sentido, sim, quando avalia o impacto futuro deste negócio. Há um impacto, claro.

Primeiro, devemos relembrar que a economia da pesquisa está em permanente evolução. A Google, Inc já mexeu diversas vezes nos algoritmos do PageRank e há vozes que dizem, até, que a importância que o público lhe dá é altamente exagerada e que na verdade não conta assim tanto. O AdSense sofreu uma mudança radical há semanas, devido ao combate à fraude nos cliques. Essa mudança, que não foi sequer anunciada, quanto mais explicados os seus pormenores (como António exige à Blogsvertise), afectou um número não-calculado de publishers cujos rendimentos sofreram fortes variações negativas. Os pesos relativos dos links orgânicos e não-orgânicos variam quase diariamente, em função da caça de gato e rato que sempre foi o negócio da pesquisa.

Estas medidas de evasão são necessárias. Sem elas (e algum secretismo nelas) os motores de pesquisa sobraçariam ao spam médico e pornográfico, que tem os melhores estudiosos na matéria e usa colossais redes de zombies para as suas inoculações. Recordo uma vez mais que o Altavista cedeu a posição dominante ao Google em grande medida porque soçobrou às mãos dos pornógrafos.

António dá o flanco quando diz temer a perda de valor dos enlaces dos blogues. Com isso está a reconhecer um valor aos seus links, embora antes tenha moralizado sobre o facto de alguém querer comprá-los e vendê-los.

Das duas, uma: ou António é blogger pelo prazer e o valor dos links é o que menos lhe importa, ou admite querer tirar algum tipo de rendimento do seu trabalho e aproveita, ou não, as oportunidades que o mercado ofereça. Preferencialmente, direi eu, as oportunidades legais e limpas como a do Blogsvertise.

Gostaria de ler os argumentos (revistos) de António sobre todos estes aspectos. E ainda sobre a sua frase final. Quem leia os blogs americanos dificilmente pode acreditar que uma pessoa esclarecida como António, por muito fechada que esteja na umbiguista e anémica blogosfera portuguesa, seja capaz de a escrever.

Uma sugestão: não faça como os blogburros nem fique paranóico, António. Linke e deixe-se linkar.