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Paulo Querido. Na Internet desde 1989

31 de maio de 2007

APDSI quer Sociedade da Informação ao serviço do crescimento económico nacional

A utilização das tecnologias da informação e comunicação ao serviço do aumento da competitividade no tecido económico português deu origem a um leque de recomendações, dirigidas à sociedade civil e ao Governo, apresentadas em Carta Aberta pela Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação – APDSI. A Carta Aberta foi divulgada ontem, dia 30 de Maio de 2007.

As medidas propostas visam impedir que a situação económica nacional se continue a afastar dos níveis de prosperidade dos restantes estados da União Europeia, um facto que nos últimos anos se tem tornado cada vez mais real e acarreta “custos de oportunidade graves para o desenvolvimento económico-social” a médio e longo prazo.

Relembrando o compromisso iniciado em parceria com Raul Junqueiro, um dos membros mais activos da associação, José Dias Coelho, presidente da APDSI, salienta que a proposta hoje apresentada publicamente pela primeira vez, está “perfeitamente alinhada com o Plano Tecnológico nacional” e tem como objectivo o “desenvolvimento da Sociedade de Informação e do Conhecimento do país” como um dos factores prioritários para o seu crescimento.

Transformado em Carta Aberta, este documento inclui um conjunto de recomendações que foram apresentadas ao Governo mas aos quais não foi dado seguimento, o que levou a APDSI a avançar com as recomendações que considera fundamentais para o desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento em Portugal.

O presidente da APDSI frisa que os benefícios do mercado da Sociedade da Informação são um dos pilares essenciais ao desenvolvimento da economia e da qualidade de vida nacional, uma vez que a sua evangelização poderá aumentar o nível de competitividade portuguesa, não só a nível interno como também internacionalmente. Para isso, cada entidade deve potenciar a promoção da melhoria das respectivas condições de desenvolvimento da actividade em que se insere e orientar os recursos organizacionais em função de objectivos de eficácia.

O desenvolvimento das aplicações de TI com vista ao aumento da eficácia nos múltiplos organismos do Estado e na sua relação com os cidadãos, a utilização de plataformas digitais de intercâmbio de informação e da tecnologia, assim como o redesenho organizacional de procedimentos e de funções, conformes com os objectivos conducentes a um aumento da competitividade, são factores que, no entender da associação, devem ser privilegiados.

José Dias Coelho assume ainda que seria importante se o Estado aderisse ao sistema de outsourcing, “um processo que pode dar origem a soluções robustas e capazes de levar ao redesenho organizacional”.

Outro dos pontos apresentado nesta Carta pela APDSI prende-se com o desenvolvimento do “mercado da Sociedade da Informação e do Conhecimento nas suas áreas de actuação a taxas anuais não inferiores ao crescimento do produto interno bruto acrescido de três pontos percentuais, comprometendo-se o Governo a aplicar idêntica regra nos investimentos em tecnologias da informação e comunicação para modernização da Administração Pública”.

O presidente da associação afirma que “os cortes orçamentais devem ser feitos de forma inteligente, compensando os gastos nos diversos sectores”, algo que não tem acontecido e reflecte a situação actual do país.

Neste sentido, a Carta Aberta da APDSI propõe que o Governo se comprometa a ultrapassar as medidas estabelecidas na cimeira de Lisboa e no plano de acção eEurope 2010 e que seja aproveitada a complementaridade entre os sistemas de informação e os recursos humanos – promovendo a sua qualificação – para que se atinjam aumentos sustentados na produtividade e elevem as capacidades do tecido económico nacional.

Embora sendo só agora apresentada publicamente, a Carta Aberta da APDSI começou por ser uma carta de compromisso, tendo sido dirigida numa primeira etapa ao governo de Durão Barroso. O compromisso proposto pela Associação já passou também pelas mãos do actual primeiro-ministro José Sócrates que reencaminhou a documentação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Findo este processo – e perante a não assinatura da documentação pelo primeiro-ministro e pelos dez principais grupos económicos do país, como era pretendido -, a APDSI decidiu retomar os trabalhos e apresentar publicamente a sua proposta de dinamização da Sociedade da Informação através desta Carta Aberta.

Sobre a APDSI

Criada em 2001, a APDSI tem por objectivo a promoção e o desenvolvimento da Sociedade da Informação e Conhecimento em Portugal, reunindo com este interesse comum indivíduos e empresas. Na linha destes propósitos a Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação tem vindo a desenvolver diversas actividades, onde se destacam uma série de estudos realizados por grupos de trabalho multidisciplinares sobre os vários temas da actualidade na Sociedade da Informação, nomeadamente Administração Pública, Aprendizagem, Justiça, Saúde, Educação, Comércio e Negócio Electrónicos. Em todos estes trabalhos a APDSI procura identificar as tendências de evolução e também as interacções entre as tecnologias e outras dimensões sociais e económicas, contribuindo com uma visão mais aberta para a discussão e eficaz implementação destes conceitos na Sociedade Portuguesa.