Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

9 de abril de 2006

As palavras ficam, os amigos vão

João Pereira Coutinho (arquivo na Folha Online) tem um texto exemplar na sua coluna de opinião do Expresso de ontem, 8 de Abril de 2005. “Amigos e amigalhaços” versa a Extraordinária Questão levantada pelo não menos extraordinário ex-crítico literário João Pedro George (Esplanar) sobre a crítica literária: devem os amigos fazer crítica literária sobre os amigos?

JPC discorda de George. Cita casos exemplares. E diz coisas lapidares. Como: [o elogio fácil abunda nas letras nacionais ]«mas isso não se deve à amizade dos seus cultores. Deve-se, tão só, à mediocridade deles, que é anterior a qualquer sentimento fraternal»

Ou, para rematar: «Mas convém não esquecer o fundamental: uma crítica é uma crítica é uma crítica. E, no fim de contas, as palavras ficam e os amigos vão».

É curioso que ninguém tenha levantado a questão contrária, que não seria menos Extraordinária, bem vistas as coisas: devem os inimigos fazer crítica literária sobre os inimigos? Se sim, legitimamos os textos de George sobre Margarida Rebelo Pinto, tendo por maioria de razão que legitimar os textos de amigos sobre amigos. Ou então não.