Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

7 de outubro de 2006

Auto-edição: prós e contras

A.R. sintetiza muito bem no recente GranoSalis o que interessa na distinção entre a edição tradicional e a auto-edição. Só depois de responder interior e firmemente à pergunta “o que quero eu com este livro” é que um (candidato a) autor pode escolher um dos dois métodos. Ambos têm prós e contras.

Como autor e também como publisher, conheço relativamente bem os dois métodos. Tendo a olhar para eles como métodos, não como filosofias ou conceitos. Excepto num caso (o Blogs onde a motivação foi pessoal, derivada da amizade), sempre publiquei os meus livros por dinheiro. Assim, escolhi a via da edição tradicional, que à partida oferece aquilo que eu e a maioria dos autores não tem nem quer ter: o know-how e os circuitos de promoção e venda do livro-objecto.

Embora pareça (felizmente!) imune ao vírus da ficção, aconteceu-me já pretender publicar um livro sem o dinheiro como móbil. Uma colecção dos meus melhores textos para o Expresso nos últimos três anos. Pensei logo em auto-edição, o que é normal pois acumulei experiência neste método e sei alguns “segredos” e técnicas. O livro não se fez (ainda) por manifesta falta de tempo.

A expressão vanity-press, imprensa da vaidade em tradução literal, é muito bonita e verdadeira — embora a colagem a um pecadilho mal visto por muitas culturas, a vaidade, funcione como um veneno. Se me deixar subjugar pelo politicamente correcto, não publicarei um livro que manifestamente me apetece fazer (e não vender). O que está errado.

Finalmente: em última análise não existe nenhuma outra razão para publicar além da vaidade (nalguma das suas múltiplas encarnações). Vaidade do autor, sempre. Vaidade do editor quase sempre.