Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

5 de agosto de 2007

Badware e pesquisas perigosas

Certos termos provocam respostas dos motores de pesquisa que são perigosas para a saúde dos PCs. O Google vai passar a fornecer avisos. O que levanta a questão sobre quem classifica o chamado «badware».

Uma inocente pesquisa num motor qualquer com os termos «free screensavers», ou «screensavers», ou «free ringtones» pode tornar-se num pesadelo. Os cérebros por detrás das criminosas redes de «badware» – o «sofware» malicioso que se instala sem notificação nos nosso computadores para executar tarefas ilegais – estão a usar técnicas de «Search Engine Optimization» (SEO) para obterem novos canais de distribuição.

Ao contrário do que se passou com o «spam» – contra o qual a indústria no seu todo, dos operadores aos políticos legisladores passando pelas empresas de «software», negligenciou o combate até ser tarde demais – contra o «badware» os avisos dos caçadores de vírus e outros ataques informáticos foram ouvidos a tempo por toda a gente. Resultado: maior rapidez no combate à distribuição e dificuldades de crescimento. Os consumidores estão melhor avisados e sobretudo melhor protegidos. Pelo que aos criminosos só resta uma forma: encontrar novos caminhos, limpos, e que não levantem suspeitas.

Ora, ninguém desconfia de um blogue ou site que anuncia programas e notícias da moda e que até aparece nas pesquisas do Google. Vai de clicar e quando menos se espera o PC ficou «zombie», comandado à distância por um «cracker» de Leste.

Uma pesquisa efectuada em Maio revelou que quatro a seis por cento dos «websites» pesquisados continham conteúdo perigoso mas perante chaves como as já citadas o número disparava para mais de 60 por cento.

A Google Inc é uma das empresas que patrocinam a iniciativa de estabelecer um sistema para identificar o «software» perigoso e os «sites» que tentam enganar os internautas e instalar nos respectivos PCs esses programas maliciosos. A campanha StopBadware.org é um esforço conjunto para identificar os sites e aconselhar as pessoas a terem cuidado, nomeadamente com a introdução de um aviso junto do respectivo «link» nos resultados de uma pesquisa.

A intenção é sem dúvida alguma louvável. Mas levanta outras questões, como a de saber quem vai decidir que sites são ameaçadores e porquê. A presença do britânico Oxford Internet Institute entre os organizadores é uma referência e no grupo de trabalho estão pessoas de confiança como Simson Garfinkel. Mas os conceitos de «badware» e mesmo de «spyware» podem rapidamente tornar-se escorregadios numa web repleta de novas aplicações destinadas a aumentar a participação do cidadão nos projectos editoriais.

(Expresso, 11/08/2006)