Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de outubro de 2004

Balbino Caldeira: alguma confusão

Tenho reparado nalguns blogues que citam o post A censura de António Balbino Caldeira em Do Portugal Profundo, uns com mel outros com fel — dependendo do gosto pessoal de cada um relativamente ao autor.

Não é de estranhar que o visado fale em “censura”: entraram-lhe pela casa adentro (com mandato) e levaram-lhe o PC. Eu também me indignava e reagia a quente com um post até mais violento que o dele. Mas já é de estranhar que se critique o homem ou se tente defender o blogger.

A notícia do dn.pt, assente na Lusa, é uma bela cagada. Diz no primeiro parágrafo que António Caldeira «era» autor de um blogue, o que dá a entender que deixou de o ser por causa da chamada ao tribunal. E encerra a dizer que «no entanto António Caldeira promete não encerrar o seu blog». O jornalista mostra-se admirado por Caldeira não fechar o blogue. Como se houvesse uma relação de causa-efeito entre ter um blogue e ser ouvido por um tribunal.

Balbino Caldeira não foi accionado pelo Ministério Público por ter um blogue mas sim por ter publicado documentos que putativamente violarão segredo de justiça. Publicar é tornar público. O meio não interessa para o caso.

Não está em causa direito algum. Balbino Caldeira é responsável pelo que torna ou não público. Todos nós somos. Usemos ou não um blogue.

Tivesse ele publicado o que publicou em fotocópias e distribuído na rua e queria ver se a blogosfera vinha defendê-lo. E se a Imprensa escrevia «no entanto promete continuar a escrever coisas e a divulgá-las por fotocópia». Dah :P