Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de janeiro de 2008

Basicamente, podemos fazer muito mal

À medida que o mercado web cresce, com milhares de micro-empresas e PMEs a aderirem com as suas páginas-cartão de visita, surge a necessidade de se tornarem conhecidas. Nada fácil, num meio onde a competição pela atenção das pessoas é feroz e as listas de resultados nos motores de pesquisa estão tomadas de assalto pelos conteúdos dos cidadãos.

Ninguém tem culpa que a Google, Inc tenha decidido avaliar como mais relevante um blogue de terceira categoria sobre arquitectura do que o website de um gabinete de arquitectos.

Para a economia, não é tudo mau: estimula o surgimento de novas funções e empresas que nelas se especializam.

O problema é que mesmo algumas dessas empresas não parecem saber muito bem o que fazer com este meio. Eu estou a receber spam de várias PME que, desconfio, se soubessem a minha reacção às marcas que usam o mail marketing desastrosamente, teriam mais cuidado na altura de encomendarem o serviço.

Como eu, milhões de pessoas reagem mal, ou mesmo muito mal, às marcas que abusam dos seus endereços de correio electrónico.

Como eu, milhões de cidadãos por esse mundo fora jogam no lixo os papéis enfiados na caixa do correio e se tomam nota do nome da empresa responsável pela violação, é com grande irritação e a firme intenção de reagir contra elas.

No correio electrónico é a mesma coisa — sendo que no meu caso, é ainda pior: como mantenho o meu próprio servidor familiar, estou informado sobre a colossal quantidade de recursos que a actividade do spamming consome, recursos esses parasitados uma vez que os seus custos recaem sobre os receptores e não sobre os emissores. Para terem uma ideia, a minha pequena maquineta familiar, que tem cerca de 30 endereços de correio de familiares e alguns amigos alojados, é sujeita continuamente ao bombardeamento de mensagens comerciais; mais de 99% delas não são entregues, mas todo o processo de recepção, entrega ou devolução implica alocar uma parte significativa — e nos picos pode até estoirar a máquina.

Agora imaginem o que é isto para um serviço como o Sapo. Um pesadelo.

Vamos lá ver uma coisa. O spam, ou mail marketing descuidado pois é feito desconsiderando o destinatário, tem um bom retorno em termos de vendas e como tal há quem o justifique.

Não vou agora tecer considerações sobre isto. Sejamos práticos. Admitindo que um vendedor de falso Viagra, ou um vendedor de vão de escada que hoje aparece aqui e amanhã acolá com outra designação, beneficiam da actividade de exasperar um milhão de pessoas para venderem a 700 delas, eu pergunto: uma empresa estabelecida e respeitada, que tem vindo a construir uma marca ao longo de anos, pode dar-se ao luxo de usar o spam?

Isto tudo a propósito de um spam que me irritou particularmente, pois é emitido por uma empresa de uma pessoa que eu conheço, e de quem fazia uma boa ideia, e promove os respectivos serviços de “branding”.

Quando alguém lhe perguntar o que pode fazer pela sua marca na Internet, tenha cuidado. Com a melhor das intenções, essa empresa pode estoirar-lhe a reputação antes mesmo de se estabelecer na web.