Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de outubro de 2006

Blogger poker tour: as coisas com que eles se divertem

Dois avisos antes da leitura. Primeiro aviso, este texto pode conter material ofensivo para almas sensíveis, em especial porque o jogo a dinheiro não controlado pelo punhado de instituições autorizadas pelo Estado tem má reputação em Portugal. Segundo aviso, este texto é patrocinado — pelo que sei, é o primeiro post patrocinado da blogosfera portuguesa e é de esperar que, enquanto tal, crie polémica.

(Actualização à actualização: este é na realidade o terceiro. O segiundo foi publicado ontem pelo Rui no Adufe, aqui, e o primeiro pelo Leonel Vicente, no Memória Virtual, aqui, em Agosto, imagine-se, onde andava eu em Agosto?!?)

Polémica pelas questões que levanta. Não é uma publireportagem (escrevo o que entender, posso até zurzir alegremente o patrocinador). Não é um press-release. Não é lóbi: ninguém me pediu que faça pressão sobre ninguém por causa do poker. Não é uma encomenda às escuras como imagino que se pratique por aí (e desconfio que se pratica em blogs, cujos autores não subscrevem nenhum código deontológico); pelo contrário, é claríssima: escrevo dois parágrafos sobre qualquer coisa desde que tenha três links para www.bloggerpokertour.com e, preferencialmente mas não obrigatoriamente, tenha algo a ver, mesmo que remotamente, com o jogo do poker.

Será publicidade — por um espaço editorial conter links que alguém pagou para lá aparecerem? Não é um espaço lateral, como o topo ou a coluna, que equivale numa página aos espaços que nos jornais estão reservados à publicidade, e tal como nos outros media está devidamente identificado. É dentro de um post.

É um post patrocinado — e não temo ao escrevê-lo abrir espaço para a discussão. A começar por: o que é isto e até que ponto a prática de vender links orgânicos (que, ou muito me engano, ou constituirá uma das soluções para a profissionalização de bloggers, e sublinho uma das) poderá — e em que circunstâncias — a) afectar a credibilidade do autor e b) constituir alguma violação de um código deontológico se, como é o meu caso, o autor estiver sujeito a um (além de jornalista, não há muitas mais profissões sujeitas a um código deste tipo).

Fico, aliás, muito curioso sobre o que disto dirão os meus camaradas de profissão (e menos curioso, mas ainda assim curioso, sobre o que vão gritar os Grandes Críticos Dos Jornalistas).

Graças ao patrocinador, descobri que um grupo de pessoas se diverte partilhando na rede as aventuras e desventuras das suas jogatanas de poker. São sobretudo australianos mas também espanhóis e brasileiros — e não descobri nenhum português, mas devo confessar que não verifiquei um por um os links dos participantes no Blogger Poker Tour (e por esta altura já podia fechar o post com o dever cumprido).

Segundo deprendo das explicações, não se trata propriamente de jogar em linha (embora alguns dos participantes o façam, naturalmente). A rede de blogs de poker serve fundamentalmente para se entrepromoverem, promovendo o acontecimento.

Eu não entraria numa coisa destas. Desde logo porque não jogo poker há duas décadas. Mas percebo a lógica da rede. Isso percebo.

(Agora eu. Encarei esta experiência como isso mesmo, uma experiência, uma matéria em investigação sobre a qual vou escrever e eventualmente teorizar um pouco. Não tenciono repetir. Uma vez pagos, os dez dólares serão entregues a um grupo ou indivíduo que produza software livre, como o WordPress, que escolherei mais tarde.)