Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

12 de junho de 2007

Campus Party Portugal 2007 na Batalha: partilha a 2.5 Gbps

Texto de autor convidado: Ricardo Oliveira. Negritos meus.

Campus Party Portugal 2007, Expo Salão – Batalha, final de Julho. Um nome diferente, com um promotor diferente, num sítio diferente, com (alguns) parceiros diferentes, mas praticamente com a mesma equipa que montou as quatro realizações da grande LAN Party Portuguesa.

Continua a verificar-se que criar um evento deste tipo não é trivial, tendo em conta que durante os três anos desde a última realização não se realizou nenhuma LAN Party com dimensão semelhante (as pequenas LANs que acontecem por todo o país não ultrapassam os 500 participantes), e que embora existam instituições para o fazer (de forma isolada) não é fácil juntar esforços e alinhar estratégias para levar o barco a bom porto. Afinal de contas, quantas são as Câmaras Municipais com vontade de apoiar um evento deste tipo; quantas são as empresas tecnológicas com vontade de participar, demonstrando a sua capacidade num ambiente de utilização extrema; quantos são os ISP que querem demonstrar que a “sua” Internet é a mais rápida?

É óbvio que, por outro lado, estar associado a um evento com as características particulares que o diferenciam, principalmente no que diz respeito à componente técnica (presença 24×7, margem para indisponibilidade zero, utilização dos recursos no limite, expectativas elevadas para todas as actividades, etc) é um risco que nem todos estão dispostos a correr. A responsabilidade é enorme, mas a recompensa também não é menor: a equipa tem o mérito de poder dizer que até hoje, em Portugal, ninguém conseguiu chegar perto, embora existam parceiros, espaços, empresas, vontades (políticas, económicas, estratégicas) com capacidade para o fazer.

Depois da inesperada interrupção, em 2005, do Minho Campus Party (o principal parceiro entendeu que as condições necessárias para a sua realização não estavam reunidas) foi notória a lacuna que passou a existir no panorama nacional dos (muito, mesmo muito, pouco ou quase nada) interessados pelas tecnologias que deixaram de ter uma justificação plausível para passarem do contacto digital para o contacto físico, muitas vezes concretizando amizades de muitos meses (anos?) pela primeira vez com a presença física. Acaba por ser um cenário semelhante ao que acontece em muitas outras áreas – quem se lembra dos festivais de verão, onde se conhecia aquela pessoa com quem se trocou uns recortes no Blitz durante o ano anterior? – aplicado à tecnologia. Como é óbvio, o objectivo deste último parágrafo é demonstrar que os tecnológicos (os apelidados maluquinhos dos computadores, telemóveis, gadgets e afins) são pessoas perfeitamente normais, concentradas no que mais gostam de fazer, tal como todos os outros.

Este ano, com um novo promotor, propomo-nos a realizar um evento ainda maior, ainda melhor, do qual os participantes não se vão esquecer tão cedo. Numa demonstração clara de que o evento é o que os participantes quiserem que seja, estão a ser realizadas votações para que sejam escolhidos os jogos mais interessantes, a área de share-IT (onde se fazem as conferências, workshops e afins) estará aberta para utilização livre (conheço algumas pessoas que estão interessadas em mostrar como se processa uma prova de vinhos, outras querem falar das últimas tendências dos blogs, demonstrar como se utiliza uma nova linguagem de programação… e muito mais!), e será possível vingar fisicamente as derrotas sofridas de forma virtual (nas competições de jogos) numa área de Paintball patrocinada pela NFSi, para além de várias surpresas que estão a ser preparadas (não se esqueçam que na lista de parceiros estão a SIC Radical, o Blitz e o AEIOU!).

Continuando a escolher espaços interessantes (quem não se lembra do Pav. Multiusos, em Guimarães, ou o estádio em Braga?) e com todas as condições, vamos estar na Batalha, no centro do país, nas excelentes instalações da Expo Salão que serão utilizadas na sua totalidade para o evento. Desta forma, equilibramos as distâncias para os participantes de todo o país, tiramos partido do espaço da Expo Salão (um agradecimento desde já pela disponibilidade!), do facto de estarmos a poucos kms da praia e muito menor distância do Mosteiro da Batalha – que tal convencer a Câmara da Batalha a patrocinar visitas durante o evento? Eu não disse nada!

Passando para a componente técnica / tecnológica, continuamos a ter como parceiro a Cisco Systems Portugal, cujo equipamento de rede (preço de custo: quase 3 milhões de dólares!) vai ser utilizado para montar a rede local, sendo a mais complexa e de maior capacidade montada em Portugal. O desenho da infra-estrutura de rede está a ser delineado pela Eurotux, de forma a garantir a disponibilidade, desempenho e flexibilidade que o evento necessita e tirando partido das capacidades dos equipamentos da Cisco Systems. O core da rede IP vai agregar cerca de 560Gbps (da distribuição), interligando cerca de 28 equipamentos da série Catalyst 4500 em quatro equipamentos da série 6500 (interligados com múltiplas ligações de 10Gbps) aos quais estarão ligados os servidores. Para complementar a cobertura de rede, serão ainda montados mais de 20 equipamentos Aironet, garantindo cobertura Wifi para os pavilhões e área circundante para os participantes e público em geral.

Serão utilizadas várias outras tecnologias da Cisco para análise de tráfego da rede local e acesso Internet, sendo toda a gestão efectuada pela equipa técnica da Eurotux em permanência (24×7). Costuma-se ouvir de passagem nos corredores da Eurotux que um técnico que sobreviva a uma Campus Party tem estaleca para garantir os serviços de suporte e manutenção a infra-estruturas de clientes, o que demonstra a agressividade do ambiente…

O acesso Internet, com mais de cinco vezes a capacidade de eventos anteriores, será disponibilizado pela NFSi Telecom através da infra-estrutura de comunicações fiável e de elevada capacidade, e será de 2.5Gbps (dois Gigabit e meio por segundo!), estando para isso previstas trocas de tráfego com outros operadores especialmente para a realização do evento e, ao contrário de realizações anteriores, sem qualquer distinção entre tráfego nacional e internacional. A intranet e as várias competições (jogos, programação, multimedia, segurança, etc) serão suportadas pela infra-estrutura de servidores cuja gestão é também da responsabilidade da Eurotux, sendo a sua instalação e preparação uma das tarefas mais importantes de todo o processo de montagem.

( Além de meu amigo há uma década, intensa década, Ricardo Oliveira é autor de dois livros técnicos e blogger. Destaca-se como técnico de redes na Eurotux. )