Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

26 de abril de 2007

CDS-PP: segredo é a capacidade de mobilização mediática

O CDS-PP é um partido que produz quadros com valor acrescentado para os media — escreve o leitor Paulo Tomás Neves, respondendo ao desafio que lancei na passada sexta-feira, dia 20, inaugurando uma nova série desta publicação: um desafio por semana, com prémios todos os meses (consulte a apresentação e regras).

A pergunta do primeiro desafio era: O CDS-PP vale o que parece?. A resposta de Tomás Neves foi a primeira eleita, entre várias recebidas, tornando-o no primeiro candidato ao prémio de Abril: um cheque da Amazon no valor de 25 euros. Amanhã será a vez de apresentar a segunda resposta que considerei merecedora de publicação.

Entretanto, em Maio o desafio terá uma pequena modificação no que respeita à escolha das respostas: passará a ser feita por um júri, deixando de ser minha exclusiva responsabilidade.

A resposta de Paulo Tomás Neves:

«Na minha opinião, a questão está infectada logo à partida por uma doença a que chamarei “falácia dos pressupostos”. Desde logo porque está implícito no desafio que: o CDS-PP parece mais do que vale; que a visibilidade mediática é função do eleitorado e que o CDS-PP carece de massa crítica, de propostas ou dinamismo.

O valor de um partido não é objectivamente mensurável, excepto pelo critério dos votos e ainda assim em termos relativos (só contarão os das últimas eleições?). Assim, subjectivamente, «visto da infoesfera», o valor do CDS-PP inferir-se-á pelo interesse que desperta, mesmo, e se calhar até principalmente, nos que nele não votam. O mediatismo de qualquer «objecto» mede-se pela captação de audiências, logo publicidade, logo dinheiro (este sim o verdadeiro «valor» de uma sociedade capitalista). Deste posto de vista, não há dúvida que do CDS-PP resultam excelentes produtos geradores de valor acrescentado para os media. Por exemplo: Maria José Nogueira Pinto; Paulo Portas; Pires de Lima; Nuno Melo; Ribeiro e Castro; Lobo Xavier; Manuel Monteiro; Freitas do Amaral e outros, alguns já fora do partido, são «quadros» que enfeitam muito bem qualquer mesa, mais ou menos, redonda; uns pelo que dizem, outros pelo que não dizem e outros pelo modo como dizem ou escolhem não dizer.

No CDS-PP não falta massa crítica. Não faltará «massa» a fazer fé nos pressupostos da questão que classifica este partido como representando uma pequena minoria de proprietários. Não falta crítica interna ou externa, há para todos os gostos. E não falta “massa crítica” pois este é um partido de quadros e não de bases, logo a sua massa crítica está nas suas «personalidades» e não no número de camionetas que os militantes enchem (ou o número de táxis necessários para albergar os seus deputados).

O segredo do CDS-PP, que não é segredo nenhum, está na capacidade de gerar personagens políticas mediáticas com discurso cativante mesmo para quem não é do partido. É essa capacidade de mobilização mediática, mesmo contra a esquerda que domina os mass media em Portugal e que vai levando o BE ao colo dando a Louçã um mediatismo que não merece (Louçã vale em termos mediáticos muito menos que por exemplo Garcia Pereira), que faz do CDS-PP um partido interessante.

A esquerda partidária em geral não debate em público as suas questões internas. E quando é forçada a mostrar as suas divisões (Manuel Alegre vs Mário Soares), talvez por falta de treino, é vítima do seu próprio maniqueísmo. Um partido em que as facções discutem com inteligência, por oposição às cassetes do costume, desperta interesse.

Convém, também, não esquecer ó peso histórico do CDS-PP, que foi o único partido a votar contra a Constituição e malgré Freitas do Amaral estamos perante um partido assumidamente da Direita Democrática, tal fazendo do CDS-PP, em Portugal, uma singularidade logo algo interessante.

Para além de tudo isto há aquela pequena questão das quase maiorias absolutas. Aquelas maiorias do PS ou do PSD que precisam de uma ajudinha, nem que seja por um queijo, para poder impor a sua vontade. O eleitorado de centro-direita vê com naturalidade alianças/coligações entre o CDS-PP e o PPD-PSD. Por razões históricas o PS tem dificuldade em aliar-se ao PCP e o CDS-PP nunca teve pejo de se juntar ao PS para chegar ao governo. Deste modo o CDS-PP foi conquistando um papel de fiel da balança, um bocadito sui generis já que o «fiel» está á direita e não ao centro.

Assim, julgo que o CDS-PP vale mesmo o que parece e parece mesmo o que vale. »