Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

18 de maio de 2007

Cinco pontos a favor de José Sócrates

«Bem vistas as coisas, o que irrita os detractores do governo é o seu profissionalismo», escreveu Eduardo Pitta e eu assino por baixo. A forma como o Primeiro Ministro geriu politicamente o momento CML foi de mestria e acentua a sua sabedoria política (ou o pragmatismo, o que, nos políticos tempos que correm, é uma tremenda mais valia num governante).

Eis cinco pontos a favor do Primeiro Ministro enquanto dirigente político:

1. A rapidez e destreza com que procedeu a uma mini-remodelação relâmpago no Governo não deixou campo a um único dia que fosse para os “analistas” e os analistas comentarem e especularem sobre o habitual vazio desses momentos. Praticamente não se ouviu um pio sobre a substituição de Costa; o pouco que se leu foi sobre a saída do substituto do Tribunal Constitucional (fait-divers) e perderam-se as poucas frases (importantes) sobre o trabalho deixado a meio por Costa.

2. Tirou António Costa e as suas ambições do seu próprio caminho, sem contudo prejudicar o próprio Costa, o partido e o rumo deste Governo.

3. Dá ao partido uma desforra brutal sobre o PSD no campo autárquico, aproveitando a inabilidade de Marques Mendes na gestão do “independente” Carmona Rodrigues. Ganhar Lisboa nas intercalares é, ainda, um passo de gigante para ficar com Lisboa nas próximas autárquicas.

4. Recoloca-se a si próprio no trilho da boa gestão dos tempos mediáticos, depois dos passos em falso no tão ingrato como bacoco dossier curricular.

5. Como que magicamente, e com a ajuda de outro grande profissional da política, por muito que no passado tenha dito o contrário, que hoje preside à nação, Sócrates procedeu ao apaziguamento da situação política do país — o que os agentes económicos, reocnhecidos, agradecem do fundo dos bolsos.

Como bónus pelos cinco pontos, o “treinador” José Sócrates pode ir pensando em renovar o “contrato” em 2009, basta-lhe não cometer erros fatais. A forma como as baronatas sombras do PSD (não) se agitaram nas duas últimas semanas aproveitando as fraquezas do seu líder é, caso seja necessária para os renitentes, a confirmação politica deste bónus.

Só um acidente grave (para os leitores laicos) ou um milagre (para os leitores crentes) mudará o curso deste rio.

[ Declaração de desinteresse, porque a blogosfera tem nos dias que correm demasiados crápulas dispostos a tudo: não sou socialista, não sou parente nem relativo nem de alguma forma relacionado, no passado ou no presente, com o actual Primeiro Ministro e muito menos ambiciono vir a ser, não devo favores a PS ou a algum membro seu ou satélite, nem me devem favores a mim;, não quero ser funcionário público nem meter cunhas nem estar nas boas graças nem nada dessas coisas que o povo e alguns pretencionsos consideram, justa ou injustamente, serem as únicas motivações para o comentário político, nada me move contra Marques Mendes, bem pelo contrário, considero-o uma pessoa séria e com um bem-estar público que tomara muitos do partido dele e dos outros, sem distinção de cor, a minha independência e distância dos partidos não me impediu de recomendar o voto no PS nas últimas legislativas por motivos, como agora, exclusivamente intelectuais que se prendem com as minhas análises pessoais e os tempos têm-me dado razão -- outros tempos virão, sem dúvida, cá estaremos para eles e acredito no sistema partidário e que só os partidos do bloco central, com todos os seus defeitos, podem governar o país, com ou sem eventuais coligações com partidos das franjas, desconfio dos "regeneradores" da democracia e, claro, se eu mandasse ia tudo corrido à paulada, por isso mesmo é que eu prefiro o Estado democrático e a alternância, is that clear? ]