Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de maio de 2007

Confirma-se: Expresso online aberto de terça a sexta

A versão em linha da edição semanal do Expresso, até agora reservada aos assinantes do Expresso online, vai ser aberta ao mundo durante metade da semana. Todos poderão ler a versão erm HTML entre a meia noite de terça-feira e as 23:00 de sexta — pouco antes de entrar no circuito a edição de sábado.

O editor da área onde colaboro, Miguel Martins, referiu à Meios & Publicidade (link) que a versão em PDF navegável, lançada há poucas semanas, se vai manter fechada. O objectivo é simples: marcar a diferença de um ponto de vista qualitativo, sendo esta versão mais adequada ao público tradicional do Expresso que entretanto se modernizou e quer um acesso rápido, e alternativo, quando tem um computador.

Por outro lado os assinantes continuam a ter vantagens. A primeira delas, o acesso ao arquivo digital do jornal, que remonta a 1997 e às primeiras edições do Suplemento XXI, que tive o prazer de lançar com uma saudosa equipa liderada pelo Virgílio Azevedo (ao tempo editor da Economia) e que integrava o Jorge Nascimento Rodrigues e o João Ramos, entre outros (o Carlos Medina Ribeiro desenvolveu ali, creio, as suas primeiras incursões do seu mítico personagem Jeremias).

Sou um conhecido adepto dos conteúdos abertos mas convém dizer que suporto a 100% a decisão. Sempre que me foi pedida opinião pelo Miguel (mais formalmente) e por outros elementos do Expresso e da Impresa Digital (mais informalmente) defendi a abertura cautelosa. Pior que tê-los fechados é abri-los a eito, desrespeitando uma cultura e um tipo de relacionamento entretanto construídos. Os sinais equívocos não beneficiam as marcas.

Em casos como o Público e o Expresso (os dois mais conhecidos de conteúdos com ferrolho, pois os meios ligados ao Sapo foram pontualmente parcialmente fechados não por sua iniciativa, que não tinham , mas com base nas decisões da PT), pior que manter a edições fechadas, só mesmo abri-las de novo sem critério.

Até porque… entretanto há assinantes. No caso do Expresso (e adivinho que o mesmo se passa no Público) mesmo que fossem consideradas negligenciáveis as respectivas receitas (o que seria um erro, afirmo alto e bom som), eles não devem ser marginalizados. São na sua maioria pessoas que residem fora de Portugal e as assinaturas são a sua ligação ao país. E… há no mínimo uma dívida de gratidão por terem pago durante anos.

Esta saída é o melhor compromisso. Os assinantes continuam a ter privilégios que justificam pagar — o principal dos quais a leitura do Expresso ao mesmo tempo, quiçá umas horas antes, dos leitores do papel. E a abertura à web em geral durante quatro dias da semana, não sendo o cenário ideal, é um claro sinal de abertura e permite conquistar posições em termos de visibilidade na web — a pior factura (um pesadelo!) da política de fechar adoptada penso que no início do século.

Ao longo do dia vou falar com o Miguel (por razões desagradáveis que não vêm ao caso) e esclarecerei o único ponto que penso ficar em aberto: os arquivos da edição HTML que é aberta, serão ou não indexados pelos motores de pesquisa e ficarão disponíveis como arquivo? Mal tenha a resposta, publicarei.