Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de outubro de 2007

Congresso do PSD: dois sorrisos para a legião francesa de Menezes

Ao ler ontem no Expresso online a lista dos vice-presidentes de Luís Filipe Menezes no PSD, não pude deixar de sorrir.

Duas vezes.

Primeiro sorriso porque o “novo PSD” nada tem de novo, excepto na fraca imaginação dos comentaristas de menores talentos e elementos do coro.

Segundo sorriso porque o homem se fartou de trabalhar, e bem: dos vice-presidentes à Comissão Política, Menezes apresenta uma equipa de guerrilheiros capaz de fazer exactamente o que se propôs, incomodar o PS em 2009. Com os vice-presidentes Fernando Seara, Zita Seabra, Rui Gomes da Silva, Luís Fontoura, Duarte Lima e Mendes Bota, este PSD é um potpourri — a receita com que os sociais-democratas se costumam aproximar do poder. Pode não ser gente muito recomendável mas num partido com sede de poder isso surge mais como uma virtude do que como um defeito e, a brincar a brincar, uma equipa com mais de um século de experiência política aos mais altos níveis, um friso de combatentes da primeira linha, há-de ter alguma utilidade.

Estados gerais e fórmulas de abertura à sociedade civil ficam bem na fotografia mas nunca foram verdadeiramente opções para um partido que se alimenta (como nenhum outro em Portugal) das guerras e guerrilhas entre os seus chefes tribais. Aquilo a que se costuma chamar “aparelho”, depreciativamente quando na posição perdedora, aclamativamente quando na mó de cima.

O único cuidado na gestão desta “legião francesa” social democrata consiste em manter o moral elevado para evitar que se transforme num saco de gatos. Vamos ser se Menezes é capaz, e se as sondagens o ajudam.