Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

21 de janeiro de 2005

Continuidade ou mudança

S�crates n�o � de modas. Anda meio mundo preocupado com os putativos erros da campanha socialista, como o discurso vago e de fuga ao compromisso do futuro primeiro-ministro. Outro meio mundo acha que ele devia ir a debate com o tal de senhor Lopes (n�o � o Lopes da tabacaria, aten��o). E outro meio ainda afirma, convicto, que o PS est� a ser brando.

Eu hesitava, de cabe�a concordante com os tr�s meios mundos, at� h� pouco. Instado pelos jornalistas (que express�o esta!…) a descascar no programa apresentado pelo PSD horas antes, isto num intervalo da redac��o do programa do PS, S�crates disse simplesmente: �� o programa da continuidade, o PS apresentar� amanh� o programa da mudan�a�. Deixei de hesitar face ao homem e percebi duas coisas.

Primeira: continuidade versus mudan�a � o sound-byte de S�crates para as pr�ximas semanas. � excelente (estamos a falar de real politik, n�o de debates entre a demagogia de figurantes eleitorais). Reduz � ess�ncia o que conta das ideias program�ticas – por si s� um conjunto de itens que se ordenam t�o limpamente no Word destinados a) a imprimir em caro papel couch� para as senhoras se abanarem nos com�cios � porta-fechada, acabando a poluir o ch�o dos pavilh�es; b) entreter os jornalistas de fracos recursos nesta altura da campanha eleitoral, que espetam o dedo no ar reivindicando os programas partid�rios para poderem dizer mal deles enchouri�ando espa�o medi�tico; c) nos telejornais de terceira ordem as terceiras figuras dos partidos chamarem-se mutuamente mentirosos e descortinarem mutuamente as contradi��es e os copian�os vice-versa; e d) entalarem os primeiro-ministros mais ou menos por alturas da metade do mandato com perguntas cretinas sobre promessas n�o cumpridas.

Segunda: d� ainda trabalho at� l�, mas ‘t� no papo. Refiro-me � maioria absoluta do PS na noite do pr�ximo dia 20.