Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

3 de dezembro de 2005

Cruzes, canhoto

CRUZES, CANHOTO. Dos blogs às páginas de opinião dos jornais da mais fina estampa, vai por aí um (como não?) audível berreiro sobre as cruzes nas escolas e o Estado (via ME) as querer retirar. Já li as coisas mais insanas contra uma medida de uma vulgaridade atroz. Gemo com os meus zips: a culpa é dos incêndios e do clima, que nos mudaram a silly season de sítio no calendário.

Comparar as cruzes que adornam as paredes de algumas escolas do Estado (que é laico e deve esforçar-se por mostrá-lo) à estatuária e monumentos subvencionados com o guito esportulado pelos cristãos ao longo dos séculos é — desculpem — comparar lama com pó de talco. Apelidar de símbolo “cultural” um travessão de madeira é efectivamente simbólico do estado da cultura pátria. (E não é o material que está em causa, sejam de plástico ou mármore, o efeito é paradoxalmente o mesmo).

Para compôr o pio ramalhete, com empáfia a direita inteligente (que, apesar da concorrência da outra direita, está em maioria entre os actuais líderes de opinião) zurze em tudo o que mexa contra as pobres cruzes e aponta o dedo: canhotos! Pela minha parte: pois com muito gosto, pois que sou canhoto de nascença e pois que marco os golos com o pé esquerdo e mexo no rato com a mão esquerda.