Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de junho de 2005

Da arruaça

Há pessoas que não enganam. Presumo que os conhecem: são os natural-born troca-tintas. Gente capaz de intoxicar uma reunião, um grupo de gente, um amigo, 80 leitores. Indivíduos incapazes de se enxergarem. Com um ego maior que eles próprios, cegos às evidências, cegos aos laços e compromissos (embora colem ao peito a etiqueta de esquerdistas).

Eu conheci algumas pessoas assim, infelizmente. Mas como um azar nunca vem só, um dia até fui sócio de uma. A empresa era engraçada, as pessoas que a compunham estimulantes. Até ele, na verdade, era promissor, um jovem escritor com algum talento, duas ou três ideias boas e aparente vontade. Claro, nunca eu o tinha visto em acção. Depois vi-o em acção. A empresa fechou, com dois sócios a fugirem dela, indignados. A empresa não chegou sequer a iniciar actividade. Mal se organizou a estrutura este nosso “amigo”, que no momento das escolhas fugira de um cargo de responsabilidade, passou a disparar contra os responsáveis com uma caçadeira de chumbo tão grosso que salpicou até quem, como eu, tinha um lugar marginal na estrutura e não estava entre ele e os seus alvos.

Empresa desfeita, bico calado, que isto uma pessoa gosta de ser discreta face aos seus falhanços. Ah, mas não o Jorge Candeias. Não, o Jorge Candeias não. Ele é mais do género de não conseguir ficar calado. Não aguenta. Não se aguentou. Ao fim de uns mesitos a esforçar-se por ser pessoa, acabou inevitavelmente por se chibar.

Como o Jorge Candeias é uma pessoa de fortes rancores, quando abriu a cloaca despejou-a sobre mim. Ainda bem: agora como noutra altura, sirvo eu de amortecedor. É um papel que cumpro com agrado.

Como o Jorge Candeias é um indivíduo sem carácter, explica à saciedade que há “coisas ditas em reuniões que não iriam ser abertas ao público”. Nessa explicação, Jorge Candeias abre todo o seu jogo. Bem ao jeito dos cobardes que gritam “agarrem-me senão dou cabo dele” enquanto se refugiam nos braços dos amigos, o Jorge Candeias grita “cuidado” comigo que vou fazer aquilo que ele próprio começou por fazer. Ateia o fogo e depois acusa os bombeiros de usarem gasolina em vez de água.

Além de cobarde é irresponsável. Injuriou-me, eu estou aqui a injuriá-lo e por aqui me ficarei; uma vez basta. É fatal como o destino o Jorge Candeias redarguir no seu estilo de candidato a arruaceiro. Eu farei por me conter. Como diz um ex-amigo comum, ele é mais violento do que eu, mas eu sou mais inteligente do que ele. Ao que retorqui com veemência: olha que eu consigo ser mais violento do que ele, mas ele não é capaz de ser mais inteligente do que eu! E desligámos.