Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

21 de janeiro de 2005

Da traição

O Barnabé e a blogosfera gostaram muito, e andam a trocar posts sobre isso. Ver a propósito Choque de titãs, por Rui Tavares. Que ficou muito emocionado por assistir. Para o Rui, estas duas figuras são, da actualidade, as únicas comparáveis a, pasmo, Mário Soares e Álvaro Cunhal e recordou a propósito o célebre debate Soares-Cunhal.

Não vi o debate. Francamente, acho fútil. Do meu ponto de vista nem Portas tem uma única ideia útil para o país nem Louçã consegue fugir dos lugares-comuns que ando a ouvir à “esquerda alternativa” desde há 25 anos. A sério, duas décadas e meia. O discurso-bloco só se tornou “bem” nos últimos dez anos mas andava eu de crachá contra a energia nuclear ao peito e já se desfiava este rosário.

E Portas (o Paulo, nada de confusões com o mano) vive para trair (como o PSD já sabia e voltou a saber por estes dias) e se não fosse a traição nem político tinha chegado a ser — era bom que a memória das pessoas funcionasse de vez em quando pelo menos.

Admito que a traição como princípio possa levar um político a ministro. Não admito que um político cujo principal princípio existencial é a traição possa ser elevado e quase dignificado, como fez o Rui.