Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

26 de setembro de 2007

Da volubilidade (ou: ainda o Prós e Contras)

A cultura popular portuguesa tem um traço distintivo forte, que naturalmente perpassa pela blogosfera: a volubilidade.

A volubilidade está na origem da Grande Verdade Do Futebol, tal como foi axiomatizado por esse Grande Líder Da Bola chamado Pimenta Machado: o que é verdade hoje não é verdade amanhã.

Existe, inclusivé, uma deriva popular do axioma pimentista, como que confirmando a sua importância, mas também usado por outras elites além das do futebol: não se espantem por ver um porco a andar de bibicleta.

Um axioma dispensa demonstrações e um deste calibre, então, nem se fala. Contudo, há no dia a dia dos portugueses inúmeras demonstrações do Enunciado Pimenta Machado (urge uma entrada na Wikipédia!) da volubilidade nacional e eu próprio sou uma vítima dela.

Assim, uns dias sou um perigoso bloquista para noutros ser um fervoroso adepto do Engenheiro Sócrates para noutros ainda ser A Única Esperança dos Contrógoverno na Televisão dos Prógoverno.

Um dia começo a cobrar cachet.

Na realidade, e para os mais desatentos, foi Diogo Vasconcelos quem disse no Prós e Contras as frases mais incómodas para Carlos Zorrinho, não fui nada eu. Quanto mais afastado do seu partido de origem, mais Diogo é um exemplo do que o seu partido de origem devia fazer — focar-se no essencial e construir um discurso realista e combativo, em vez de andar à cata da esmola numa igreja deserta e de empunhar bandeiras dogmáticas que nenhum vento agitará.

PS: e de se queixar e lamuriar.