Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

18 de dezembro de 2007

De preferência, não use o Hotmail…

Começa a ser frequente em registos online a recusa, ainda que polida, de endereços de correio do Hotmail. São fonte de prejuízo para o comércio electrónico e mais um exemplo do “modelo Microsoft” de fazer as coisas.

Estavamos a tentar reservar uma passagem aérea no Terminal A e ao preencher um formulário para o código de reserva surgiu o pedido, mesmo por debaixo do campo de introdução do endereço de e-mail: “preferencialmente, não de Hotmail“.

O Hotmail é um dos mais antigos serviços de correio electrónico gratuito. Um dia foi comprado pela Microsoft. Não é o único produto desta multimilionária empresa que se encontra semi-abandonado, prejudicando a actividade de milhões de utentes.

A falta de acompanhamento traduz-se nisto: hoje, ter um endereço de correio do Hotmail é um bilhete de ida ao circo da confusão. Os filtros que supostamente deviam prevenir o spam são dos menos eficazes que já vi. Não tanto na identificação de correio comercial, mas sobretudo na quantidade de falsos positivos — as mensagens legítimas e inocentes enviadas por pessoas que conhecemos e que, vá-se lá saber porquê, são classificadas como lixo, uma vez por outra. Há algo de errático naqueles filtros, seria até divertido acompanhar a situação não fosse tratar-se de um caso sério.

Afinal, é o correio electrónico de milhões de pessoas, muitas das quais só conhecem aquele serviço e são incapazes de procurar na concorrência serviços igualmente gratuitos e bem mais avançados.

O facto de ser um piada na indústria é totalmente irrelevante para a Microsoft. Os milhões de utilizadores dão-lhe uma força tremenda.

Quando vemos um número crescente de serviços web avisarem “de preferência, não nos dê um endereço Hotmail”, ou fazerem-no de forma menos educada deixando bem claro que não garantem suporte a clientes Hotmail, pensamos que e desenha no horizonte uma mudança.

Efectivamente, desenha – mas não para melhor.

Enquanto empata a situação do ponto de vista público, a empresa prossegue os seus planos e longe dos olhares dos media vai continuando a brincar com os filtros, levando os pequenos e médios comerciantes online ao desespero. Hoje a mailing-list passa, mas amanhã não se sabe. A actividade de milhares de empresas cujo negócio depende do correio electrónico é causticada numa base regular pela inconstância.

Percebe-se o que a Microsoft quer. Quer que as empresas paguem o serviço de poderem entregar o seu correio em paz e sossego e relativa segurança. Usar as ferramentas 8como o SPF) disponíveis para ser reconhecido como um “sender” legítimo não dá garantia alguma, como pude comprovar no passado fim de semana com repetidos testes em contas em diversos serviços de e-mail: nenhum deu problemas excepto o Hotmail.

“Como é que há pessoas que ainda usam isto?” perguntava-me há dias um amigo.

Não se abandona um endereço de correio facilmente. Temos a ideia de que alguém nos pode escrever e só tem aquele nosso mail. Há quem tenha listas de centenas de correspondentes e não encontra forma de os passar de um serviço para o outro. A preguiça e a tendência para ficar quieto cumprem os seus papéis. O MSN cumpre outro.