Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

28 de setembro de 2007

Deixar de fumar: segundo passo, as ajudas exteriores

Seguindo os quatro passos para deixar de fumar, hoje dou conta do segundo passo: o recurso a todas as ajudas exteriores que formos capazes de reunir.

A vontade é fundamental, como vimos anteriormente, mas não pense nem por um instante que lhe será suficiente. Conheci um caso — um único caso — em que a vontade foi praticamente o único trunfo jogado neste difícil tabuleiro, resta à esmagadora maioria de sacrificados como eu e o caro leitor socorrermo-nos de quantos apoios pudermos.

Quando escrevo todos, refiro-me a todos.

A sua filha passa o tempo a encher-lhe os ouvidos, ‘ó pai quando é que deixas de fumar?’, óptimo. Agora que já tem a vontade, reoriente-se. Transforme esse incómodo numa ajuda, faça da sua filha uma aliada.

Até eu lhe dou uma ajuda! Quer ver? Pense repetidamente nisto: vai recuperar o olfacto.

É uma pequena frase.

Vai recuperar o olfacto.

Vai redescobrir que o mundo está repleto de cheiros — uma boa parte deles desagradáveis, como o cheiro do tabaco. O pior do tabaco, porém, não é o cheiro mas o facto de aprisionar todos os outros cheiros, impedindo-os de chegarem até ao seu nariz.

O seu marido/a sua mulher não fuma? Óptimo! Agarre essa força suplementar. Tenha somente o cuidado de não passar para as costas de ninguém a sua responsabilidade. Deixar de fumar é da sua única responsabilidade e de mais ninguém. Os outros não podem, sequer, ajudar: você é que tem de lhes pedir a força emprestada.

Não despreze forças incorpóreas. Não foi o meu caso, mas se é o seu, se possui um grama de fé seja em que coisa incorpórea for (estou a falar de religião, deuses, e tal), faça dela um camarada de remo.

Nem sequer sou contra os apoios profissionais. Devo admitir que exista algum charlatanismo por aí, a par de algumas técnicas menos eficazes, mas certamente que alguns pros darão a ajuda correcta. Se o dinheiro para si não for problema (felizardo), experimente. Não aja em desespero de causa, procure com racionalidade, estude as ofertas, seja desconfiado — e aumentará as suas hipóteses, além de que se sentirá a fazer as coisas a sério (deixar de fumar NÃO É uma brincadeira).

O segundo passo é precisamente reunir a maior quantidade de apoios e estímulos fora de si, depois do primeiro passo que consiste em perceber se há vontade DENTRO de si.

As ajudas químicas e farmacêuticas são uma benção. Foram a minha benção. No meu caso, os adesivos de Nicotinell (ler: Caro J.P. da C: Nicotinell é a resposta às tuas preces!, escrito há precisamente dois anos, quano eu ainda falava em parar de fumar, que é diferente de deixar de fumar, e que faz alusões a substâncias ilegais). A função que cumprem é a de suprir o corpo com a ração de nicotina, uma ajuda preciosa pois deixam o cérebro livre para se concentrar nos aspectos não-químicos da dependência, os aspectos psicológicos (as defesas contra o meio ambiente agressivo, os tiques), de personalidade (o charme, o gesto) e as rotinas de prazer, falsas como judas (o cigarro com o café depois das refeições é o maior mito que enfrentei; descobri que é um auto-convencimento sem nenhum fundamento).

Esta é a segunda parte de uma série de quatro que começou com: Como deixei de fumar em 4 passos. As duas seguintes serão publicadas na próxima semana.