Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

13 de setembro de 2006

Depois do debate

Como se previa, o pouco interesse do debate televisivo de ontem assentou nos personagens, não nas ideias e muito menos no que podem as sociedades esperar da falta de liderança do “ocidente”. As reacções e comentários da blogosfera, nas horas durante e depois do debate, mais avivam — sobretudo nos blogues de todas as direitas, a católica, a progressista, a moderna, a reaccionária que não disfarça, a reaccionária vestida de liberal e a liberal pura (ele é cada sabor seu paladar…) — esse carácter de confronto de senadores. Personalidades.

Como é de prever num debate entre figuras cada qual com seu consenso, os séquitos ganham preponderância sobre os discursos. Dessa blogosfera, o que para a posteridade sobra do debate de ontem não foi o discurso surpreendentemente bem articulado de Mário Soares, ou a lucidez ríspida de Pacheco Pereira — e muito menos o que cada um disse. Foi a “senilidade” daquele e a “retumbante vitória” deste.

(Conseguindo a proeza de fazer de conta que “um dos seus”, uma historiadora que da plateia articulou umas palavras que ninguém reteve, também fez parte do debate, num grotesto episódio de manipulação comparável aos estalinistas retoques fotográficos).

De tal forma o clamor do séquito se fez ouvir que as tresmalhadas almas que pretenderam alguma frescura opinativa foram tratadas como insurrectos pelos coronéis do Abrupto. Costumo discordar de André Azevedo Alves, que também ontem me zurziu infantilmente mas este é o momento certo para lhe tirar o chapéu. Por razão dupla, já agora: por mostrar que as direitas não são (obrigadas a parecer) todas farinha do mesmo saco, e pel’O Insurgente que é efectivamente uma ameaça para quem mede a influência pelos pageviews. Os contabilistas que se cuidem.