Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

9 de outubro de 2004

Desisto

Uma vez sem exemplo: vou publicar um e-mail privado, que enviei ao Golfinho. É publicado porque ele me pediu. Por mim as coisas ficavam na esfera privada mas ele pediu-me que escrevesse no meu blogue a « retratar-me» e eu, como acho que deve ser útil para ele, e porque tem tido comoções violentas nos últimos dias e prezo a saúde dos subscritores do weblog.com.pt, faço-lhe a vontade (as melhoras, Zé). Ele acha que os meus leitores são bons e os dele não. Ok. É lá com ele. Eu não concordo. Os meus leitores são bacanos, sim, e eu gosto de ser lido por eles. Isso dos melhores e piores é uma escala de valores que me passa ao lado, lamento pessoal. Como ele se manifestou incomodado, tendo até reagido negativamente tanto aos meus tratos como à (imho justa) nomeação no weblog.com.pt do seu blogue para blogue da semana, decidi minorar-lhe o incómodo.

Que fique claro: DESISTO aqui e agora de tentar tratar o assunto Golfinho na boa. Errei. Falhei. Doravante, caguei de alto e de repuxo. Enquanto me vergasto furiosamente nas costas, slap slap, por ter sido tão estúpido, escrevo no quadro negro 20 vezes e torno isso público para que conste e fique em acta: não voltarei a tentar resolver pacifica e privadamente conflitos entre o Golfinho e outros autores do weblog.com.pt. Não voltarei a tentar resolver pacifica e privadamente conflitos entre o Golfinho e outros autores do weblog.com.pt. Não voltarei a tentar resolver pacifica e privadamente conflitos entre o Golfinho e outros autores do weblog.com.pt (as outras 17 omitidas, you got my point).

Eis o mail. Itálico, eu, negrito-itálico ele.

«Uma coisa é dizer: isso aí que tu escreveste é mentira. Outra coisa é chamar-te mentiroso. No primeiro caso trata-se de um ponto, uma frase, uma expressão. Um pessoa pode mentir pontualmente, seja deliberadamente seja por desconhecimento de causa, sem que isso a torne num mentiroso. No segundo caso, chamar mentiroso a alguém é afirmar que essa pessoa mente sempre, ou mente sistematicamente.

Eu não te chamei mentiroso.

Isto em primeiro lugar. Em segundo: o assunto em questão era o que tu afirmavas que eu tinha escrito. Foi isso que eu disse que era mentira. Era (e é) mentira que eu tivesse escrito o que tu afirmaste que eu tinha escrito.

O assunto da “mentira” não é o assunto Anacom. Aí eu disse que estavas enganado. Afinal quem estava enganado era eu — e já o disse nos comentários. Queres que o diga num post, tudo bem, eu avio um post a explicar isso e isto da mentira também. no problemo.

e escreveres q eu tenho seguidores??? q é isso??? já pensaste agora em quem te lê em que me vai ler? nao vais escrever nada???

Ia dizer-te no outro mail, mas entretanto tive de ir à rua. Aqui vai:

tu tens leitores, cacete! Bués deles. Alguns deles não gostam de ti, ok. Mas tens outros que gostam, zé, percebe e aceita isso. E desses muitos seguiram o teu conselho e foram votar Não na votação do provedor. Depois do teu post o Não disparou. Até aí era minoritário, 24 horas depois do teu post era maioritário.

Tens seguidores sim senhor e é bom que assumas essa responsabilidade. O que se escreve nos blogues não é impune. Tem feedback. Umas vezes positivo, umas vezes negativo. Tás muito habituado ao feedback negativo do qual te queixas e com razão. Mas habitua-te também ao feedback positivo, caraças!

fala, escrevve, pensa antes de escrever, e depois reconhece os erros. errar é humano.

Errei no caso da Anacom. Já o escrevi nos comentários próprios do post em questão. Estou a reconhecê-lo perante ti, aqui em privado, no email. Que mais devo fazer??

Um abraço»

Na volta do email tinha esta frase: «sim, por acaso gostava q escrevesses um post onde escrevesses essas coisas. obrigado.

1 abraço.»

Não é por acaso mas de nada, pal. Faço-te a vontade. Fim de citação e assunto encerrado. Para sempre.

{ Contexto: Golfinho achou que a votação sobre um eventual provedor do weblog.com.pt era um disparate e o provedor seria um censor, um atentado à liberdade de opinião (?) e afirmou que eu tinha escrito certas coisas sobre a figura do provedor. É escusado pôr aqui links para as entradas do blogue dele onde dizia tal coisa: o blogue dele já foi apagado e reconstruído vezes suficientes para eu ter perdido a confiança nos arquivos dele. Respondi calmamente no meu blogue que não tinha escrito tal coisa, dizendo também que não entendia como é que um provedor podia ser um censor. No weblog.com.pt o blogue do Golfinho foi considerado blogue da semana. Porque, bem ou mal, ele chamava a atenção para o assunto. Em emails quis primeiro que retirássemos a nomeação. Quando lhe foi dito que sim, retirávamos porque ele tinha esse direito, explicando de caminho as razões da nomeação, ele respondeu que tudo bem, o caso estava ultrapassado. Em correspondência privada comigo disse o que acima se colou. E pediu que me retratasse. Nada mais justo. Retrato-me. Ele mentiu quando afirmou que eu tinha escrito algo que eu não escrevi, o que não faz dele um mentiroso. Eu enganei-me sobre a Anacom, que afinal tem poderes (anti-constitucionais, mas tem) para dirimir conflitos entre utentes da Internet, e já o tinha publicado, mas republiquei para lhe fazer a vontade. Não quero que lhe falte nada. }