Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

23 de outubro de 2005

Do chofer ao "blogue"

DO CHOFER AO “BLOGUE”. A terminologia é importante. Hoje tomei duas decisões, uma delas relacionada com a terminologia. Fui dos primeiros adoptantes do termo “blogue”, com plural em “blogues”, embora nunca tenha aderido aos “blogueiros” ou “bloguistas”. Hoje quero voltar atrás. Reconsiderei. Sei que os neologismos, que são a seiva de uma língua, comportam riscos. Mas nem foi por isso que reconsiderei. Não sei realmente porque reconsiderei; é uma espécie de reconciliação comigo mesmo, penso que fui demasiado lesto a adoptar o termo e tenho responsabilidade porque escrevo num jornal.

Doravante, comigo um weblog é um weblog ou, no mínimo, um blog. Em itálico, porque é um corpo estranho à língua. Embora aqui ou ali possa esquecer-me do itálico… Como muitos de nós fazemos ao marketing, um dos termos transnacionais mais antigos. Uso mais facilmente, sem resistências, os transnacionais ou multiculturais que os neologismos — e acho que faz todo o sentido.

Há um tempo para um corpo estranho entrar, se entranhar, na língua. Vou respirar esse tempo e entretanto saborearei a palavra blog com a curiosidade de ver se entra pelo “blogue” ou por outro neologismo, e ainda quanto tempo se aguenta. Chofer acabou por entrar, mas ninguém usa o neologismo, preferindo as palavras portuguesas (motorista ou até condutor) ou o estrangeirismo inicial chauffeur. Tornou-se num arcaísmo…