Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

23 de maio de 2007

Dois recados para o Primeiro Ministro

Caríssimo Primeiro Ministro, venho humildemente transmitir-lhe dois recados. Tenho a certeza que ambos são adequados ao momento e capazes de o fazer subir alguns pontos nas sondagens — dos quais vai precisar em breve e mesmo que não precise não é coisa que se desdenhe.

O primeiro recado envolve um dispêndio de dinheiro, mas certamente qualquer SportZone ou, à falta, um hipermercado terá patins em conta. Compre uns e ofereça-os ao seu ministro Mário Lino, simbolicamente. Acredito que o engenheiro ainda lhe tem mais vontade do que nós e se à primeira lhe podia cair mal,à segunda aproveite! Vingava-se e vingava-nos, ao mesmo tempo que poupava o país a mais frases infelizes. Estou certo que Mário Lino não tem culpa dessa sua faceta, mas começa a não haver pachorra para tanto disparate. A margem Sul, um deserto sem hospitais que não merece um aeroporto? Patins, senhor Primeiro Ministro. Patins — e ficamos todos a ganhar, se é que me faço entender.

O segundo é refinado. Corra com a directora regional (repare: directora regional) que é mais papista que o Papa, desculpar-me-á a fraca comparação mas, ao contrário dos patins (estou em crer), as muletas de linguagem estão pela hora da morte. Claro que ninguém no seu perfeito juízo — o que no caso exclui o PSD, o CDS, o BE, o PCP, a blogosfera de direita, os opinion-makers e os “opinion-makers” — acredita que o senhor Primeiro Ministro deu algum tipo de ordem para zurzir a maltosa que faz piadas de terceira classe com — precisamente — a anedota do caso Independente. Porém, um Primeiro Ministro não deve ver-se achincalhado pelos subordinados — uma directora regional, senhor!, por quem se toma a senhora?

Corra com ela. Depressa. Deixa os deputados de mãos vazias, em paz e tranquilidade, que é como eles melhor se sentem, com tempo para a política em vez destas ninharias. Obriga os opinion-makers e, sobretudo, os “opinion-makers” a arranjarem assuntos dignos para ganharem a vida — é sempre positivo estimular a economia privada. E não teremos de ouvir um ex-deputado de carreira anódina a dizer-se agora “vítima de perseguição politica”, só por ter contado uma anedota parva a que a senhora directora regional reagiu em conformidade levando a parvoeira ainda mais longe. Ficamos todos a ganhar — se é que me faço entender –, o país e o governo e ainda o senhor Primeiro Ministro.

Como vê, são dois recados cheios da minha melhor boa vontade. Faça como na mini remodelação relâmpago com vistas para a capital: zás, rápido e indolor, acaba-se com o assunto. Para a paz e tranquilidade para todos nós, se me faço entender, e ainda para o curso da vossa governação, o que não é de somenos.