Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

12 de janeiro de 2007

DoMelhor: primeiro aniversário e zeitgeist

Parece que ainda começamos ontem mas o doMelhor comemora UM ANO de existência. Foi há precisamente 366 dias, contados hoje, que eu e o Miguel Vitorino abrimos o primeiro serviço português de citizen journalism, seguindo o fenómeno americano Digg e usando, localizado e “mexido”, o software aberto do “irmão” espanhol Meneame.

O dM foi um sucesso inesperado, devo confessar. Surgiram diversos projectos idênticos no propósito, alguns até com o mesmo código de partida, e infelizmente nenhum pegou — deixando-nos sozinhos a desbravar este caminho em Portugal. O projecto aguentou-se com outra particularidade interessante, tendo em conta o meio (Portugal e uma rede atrasada, sem uma cultura de serviços e com exiguidade de conteúdos) e o nicho concorrencial onde coabita com os blogues: embora dependente do nosso esforço e boa vontade, o dM sustentou-se em termos de alojamento, largura de banda e recursos.

A experiência foi interessante sobretudo para mim, enquanto jornalista. Ajudou-me a perceber diferenças entre os diversos públicos do consumo de notícias, para-noticiário e meta-informação que coexistem, amiúde sobrepostos, na infoesfera em que vivemos, rodeados de informação por todos os lados, reais, virtuais e imaginários.

Por altura desde efeméride achámos pertinente fazer um balanço dos acontecimentos mais relevantes do ano passado. Criámos por isso o nosso próprio zeitgeist produzido a partir do número de menções de cada assunto. Sem ser propriamente uma estreia mundial, a zeitgeist DoMelhor usa um conceito inovador na rede portuguesa: navegação simples por uma perspectiva diacrónica dos acontecimentos do ano, através de uma nuvem de palavras relativas a cada mês.

A tecnologia para fazer isto simplesmente não existe e tem vindo a ser desenvolvida pelo Miguel, comigo a esforçar-me por lhe dar algumas sugestões. A língua portuguesa é complexa e os mecanismos disponíveis para fabricar clouds funcionam, menos mal, na língua inglesa e por ela se ficam. Espero poder aplicar uma próxima versão desta tecnologia a vários projectos emergentes e existentes.