Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

9 de fevereiro de 2008

E o leitor, qual é a banda rock que o faz corar de embaraço?

(Isto é uma espécie de meme) Se o leitor debutou, como eu, no rock and roll com uma banda cuja evocação depressa se tornou um embaraço, está na hora de deitar tudo cá para fora. Vá lá. Confesse.

Eu dou o exemplo e confesso o que só um grupo reduzido de amigos chegados da adolescência tiveram o prazer de gozar alarvemente estes anos todos: os dois primeiros singles pop-rock que ouvi e mudaram irreversivelmente o meu caminho musical.

Senhoras e senhores (glup)… Suzy Quatro e Slade!

Suzy Quatro, 48 Crash (leitores de feed e newsletters este link)

Suzy Quatro, hoje com 57 anos, nascida Quatrocchio (Wikipedia), era uma desconhecida para mim e assim continuou até à hora de escrever este post: jamais vi algum clip dela, incluindo o acima reproduzível. Esgotei o 48 Crash em semanas, ainda ouvi o Can the Can, joguei o single fora (ou devolvi-o a quem mo emprestou, e que não ficou na memória) e fiz por esquecer a foleirada o mais rapidamente que pude, quando entrei directamente, de cabeça e com estrondo no percurso típico a meio dos 70 para um jovem português: Genesis, Pink Floyd, Doors, Zappa, Canned Heat, Curved Air, Yes, Deep Purple, Kraftwerk, Area, Beatles — etc etc etc etc (os 60-70 passaram por Portugal de forma pouco linear, com alguma amálgama dos tempos anteriores; assisti a fenómeno parecido, agravado com mais uma década em cima, na Rússia, onde dos Beatles a U2 passando por Jesus Christ Superstar e Bowie era tudo igual e do mesmo tempo).

Não era assim tão foleira, dirão alguns, e até fez depois suporte aos concertos de Alice Cooper. Ya ya, gostos não se discutem e tal e eu nunca apreciei particularmente Cooper e os mascarados americanos apesar de ter tido um amigo nesses tempos que dava pelo nome de Kiss (nunca fixei o nome dele, dá para acreditar?) exactamente por causa — lá está — dos Kiss.

Como uma desgraça em vinil nunca vinha só, o outro 45 rotações que me emprestaram para me porem a ouvir rock, como qualquer adolescente às direitas, foi a foleirada ainda pior dos Slade — provavelmente a banda mais comercial da história do rock na Grã-Bretanha, cujas charts ocupou impiedosamente aqueles anos todos, uns dois, enquanto eu debutava como teenager. Fica o link para o video indescritível que uma alma caridosa teve o bom senso de pedir ao YouTube que não permitisse a divulgação embebida: Cum On Feel The Noize.

Pronto, não doeu assim tanto. Agora, o leitor partilhe aqui abaixo as suas entradas embaraçosas no universo da pop (outros géneros também são permitidos, mas não têm o mesmo impacto).

E para fazer justiça aos meme, tenho de enfernizar a vida a alguém. Escolho para vítimas o Pedro Fonseca (VideosAver), o João Espinho (Praça da República, que não tem culpa nenhuma de ter comentado este post originando a minha viagem inesperada aos anos 70), o Fernando Caetano (que não tem blog mas pode publicar aqui); estes três seguiram de perto ou de longe as conversas recentes sobre música dos 70/80, mas há mais vítimas, calma. Está na altura do jcd descontrair um bocado dos afazeres e do Blasfémias. E — perdi uma hora à procura do quinto elemento para este meme mas encontrei a pessoa certa — João Lopes (Sound + vision).