Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

10 de janeiro de 2006

E depois do adeus

E DEPOIS DO ADEUS. No dia 23 Portugal vai acordar diferente. A esquerda terá dito adeus a um monopólio de 30 anos, o da Presidência da República. A direita abraçará uma realidade desconhecida, que é ter um Presidente da República. Isto vai mudar tudo.

Por exemplo:

As esquerdas sempre sentiram — ausente mas implícito no discurso — um conforto especial pelo facto de “o presidente de todos os portugueses” ser “seu”. Nunca questionaram essa coisa de um presidente, uma vez eleito, presidir a todos e não apenas a alguns. Que vamos ler agora à esquerda acerca de Cavaco ser o “seu” presidente?

As direitas sentiram mais ou menos o contrário: o desconforto de terem de engolir (até recomendar o voto!) presidentes de esquerda e nunca se lhes ouviu um pio (desconto aqui a meia dúzia de anormais porque são estatisticamente irrelevantes) sobre o “presidente de todos os portugueses”. Aceitaram-no — pelo menos publicamente, que é o que conta, pois isso lá do íntimo de cada um, é para ficar no íntimo de cada um. Na política, bem entendido.

O que acontecerá com a inversão? Saberão os esquerdistas aceitar Cavaco Silva como seu presidente? Aprenderão os direitistas uma nova forma de fazer política (pensem: PSD a fazer oposição na AR indo a Belém ao beija-mão a’O Suserano)?