Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de maio de 2007

Eleições na CML: a mistificação em curso

O anúncio da candidatura de Helena Roseta às eleições da CML foi uma esperança de pouca dura para os analistas de direita: Carmona vai a jogo num movimento simétrico que anula qualquer efeito que pudesse vir de duas candidaturas “fraticidas”. Para adensar o cenário, António Costa anunciou uma equipa à prova de cataclismo, o que levou esses mesmos analistas ao desespero. Mas vão mudar de munições. Agora, a palavra de ordem de cima é mistificar as eleições intercalares de Lisboa dando-lhes ar de refrega nacional.

O objectivo da mistificação é desviar as intenções dos votantes lisboetas, a quem foi expressamente dada a oportunidade de punir, fora do prazo, os erros de um mau executivo camarário, levando-as para o exame ao governo, que nada tem a ver com as razões que levaram Marques Mendes a fazer cair Carmona. O que está em causa não é governar o país: muito prolixamente, é recolocar nos eixos o comboio desgovernado da CML. Afirmar outra coisa deve ser considerado uma «tentativa de fazer os eleitores de idiotas» (Eduardo Nogueira Pinto, no 31).

Duvido, porém, que a mistificação possa ter algum sucesso: onze candidatos (última contagem), dois independentes de peso, figuras do PSD nas listas da esquerda, gente do PS por todo o lado, o PCP com um candidato fortemente alfacinha, uma enorme discussão em torno dos assuntos de Lisboa, as contas camarárias na lupa dos melhores analistas, um presidente autárquico forçado a demitir-se que se recandidata, nada disto cheira ao país, tudo isto cheira a Lisboa.