Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

28 de julho de 2005

Entreguem as chaves em Bruxelas

O desiludido mas realista texto de psicotico intitulado A grande hipoteca trouxe-me à memória a minha própria desiludida mas realista opinião sobre Portugal.

Sem prejuízo de voltar ao assunto, eis em traços gerais:

O país não é mais viável. Honrem-se oito séculos de História, com algumas décadas de poderosa glória, tendo a humildade de reconhecer que chegou o fim. Feche-se o país, embrulhe-se a bandeira, entregue-se o poder político a Bruxelas e o económico a Espanha (uma mera formalidade administrativa pois que é onde eles já estão, afinal).

Esta minha sugestão não deriva do estado “ruinoso” da economia portuguesa, bem longe disso! Entendo que um país não se faz para dar lucro, desprezando evidentemente os actuais discursos politicamente correctos sobre a inoperância governamental continuada sobre o défice e demais detalhes ínfimos da governação de um país. Nem para dar lucro, nem para mostrar contas a um amanuense qualquer — sobretudo aos proto-amanuenses que, graças à Internet e aos blogues, desperdiçam milhões de bytes a exigir relatórios aos políticos a quem passaram anteriormente dois cheques em branco, um nas urnas, outro na declaração de impostos.

Também não tenho uma visão apocalíptica do mundo em geral e do país em particular, o que é estranho sendo eu leitor regular de Vasco Pulido Valente.

Não.

Seria mais por eles, os candidatos a amanuenses deste país, que o mandava fechar — se me saísse tal poder no euromilhões dos céus. Por eles e pelas chusmas de inúteis que nos últimos 50 anos “dirigiram” o país, conduzindo-o até onde estamos hoje.

Por eles e por nós, sendo “nós” eu, por um lado, e você, leitor, pelo outro. Nós que podíamos ter uma oferta cultural, um salário, um preço da gasolina, cojones no governo, dirigentes que sabem o que dirigem e para onde, tudo isso em Espanha, paredes meias, ou noutros pontos da União.

Nós somos cidadãos europeus. Eu sou cidadão europeu. A minha cidade natal é Faro, a minha língua de berço o Português, a minha cultura a ocidental.

Num mundo em que a geografia conta cada vez menos, como barreira e como mola da economia, o modelo dos países ordenados pelas fronteiras está fora do prazo de validade. Um assunto a seguir noutra altura. Por agora, isto: o erro histórico de Portugal foi 1640. Deixem-se de merdas sentimentais que ninguém vos paga para isso; era muito melhor para todos nós sermos uma província espanhola. Éramos mais felizes. Alguem duvida?