Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

24 de setembro de 2006

Entusiasmante contributo para a História da Imprensa portuguesa

(Ou: quem sabe de sacos de plástico é o arquitecto)

Na semana passada, a propósito da (avassaladora) reacção do Expresso ao eminente nascer do Sol, assinalei um pormenor que escapou à grande maioria dos analistas: o logotipo e o “rosto” do Expresso, a sua primeira página, voltavam ao convívio do olhar do público, nas bancas. Gostei de ver a manchete a espreitar pela transparência do saco de plástico e fiz votos para que não fosse, perdoe-se-me a irresistível joke neste contexto, sol de pouca dura.

Ora, ontem comprei os dois semanários de cuja rivalidade se esperam entusiasmantes contributos para a elevação da qualidade do jornalismo que se pratica em Portugal, com o Sol a prometer brilhar para todos nós, portugueses, sobrelevando-se ao Expresso, líder de audiências e do jornalismo de referência.

Por um lado, profunda desilusão. O Expresso voltou envergonhado, enfiado na plástica burka publicitária. Compromissos inadiáveis, decerto.

Por outro, a confirmação. Do saturnino negócio de sacos de plástico, quem sabe mesmo é o arquitecto José António Saraiva. O Sol apareceu dentro de um saco de plástico misto, com uma face transparente e outra opaca de publicidade — um modelo que representa a evolução na continuidade, sem dúvida outro golpe do extraordinário génio com que tem abrilhantado e dignificado os jornais de Portugal.