Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

25 de janeiro de 2007

Eu quero debater o aborto livremente,isto é, depois de o despenalizar

Reproduzo o texto que publiquei ontem no movimento Sim no referendo.

Eu quero ajudar a mudar a actual legislação que pune com prisão até três anos qualquer mulher que aborte seja por que razão for.

Eu quero poder debater livremente e sem libelos as questões relativas aborto, sejam as questões do interesse do país (jurídicas, de saúde pública, etc), sejam as questões de ponto de vista (perspectiva da mulher, do feto, do homem, da família, das igrejas, dos partidos, das associações), sejam as questões doutrinais, ou outras que agora não me ocorrem.

Claramente equivocados quanto ao que está actualmente em causa, colocando a carroça à sua frente, alguns movimentos estão a promover discussões fora de tempo. O objectivo é claro e o truque antigo. A clareza nunca foi o forte desses sectores.

O debate sobre o aborto e suas implicações deve ocorrer. Mas só pode ter lugar numa atmosfera tranquila, não no clima de guerrilha com “prós” e “antis” acantonado nos seus nichos esgrimindo cada vez menos argumentos e mais retórica.

Uma tal atmosfera só pode ser proporcionada por uma sociedade que não persiga as principais interessadas no assunto, com o fito de as julgar e enfiar na prisão. Se esquecermos os radicais empedernidos, observamos que o consenso sobre este ponto varre todo o espectro, do sim ao não passando pelos indecisos, pelos “nims” e pelos sem opinião formada.

Tenho mais razões para responder sim à pergunta do próximo referendo. Mas nenhuma mais forte que esta: vamos tirar a espada de cima das mulheres como primeiro passo para a reflexão acerca do enquadramento legal e social da IVG mais adequado ao país.