Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

25 de setembro de 2007

Quatro (mais duas) ferramentas para medir audiências e resultados

Um texto da semana passada, Uma A-List da blogosfera portuguesa, provocou um debate vivíssimo sobre a forma de medir as audiências, a influência, a popularidade (mas também os resultados concretos) de um blogue.

A conversa interessará a um grupo de leitores com conhecimentos na área, mas penso que uma grande parte dos bloggers não tem ainda ideia dos instrumentos básicos para avaliarem o impacto dos seus blogues. Esta lista de quatro mais duas ferramentas para medir audiências e resultados foi concebida de propósito para eles.

A primeira pergunta que um blogger faz é: quantas pessoas me visitam? A segunda é: quem me visita?

Mas a medição de audiências vai muito além destas perguntas de entrada.

Tão importante como o número de visitantes é o número de páginas que foram lidas, tanto global como por pessoa. A hora do dia (e o dia da semana) em que temos mais e menos leitores é outro indicador importante para tirar ilações sobre a nossa audiência.

E porque razão temos esse leitores, como chegam eles às nossas páginas? Vêm directamente à página de entrada, ou caem nos arquivos? E são novos leitores, ou leitores antigos a repetir a visita?

Estas respostas são facilmente obtidas através de vários sistemas de contagem das visitas e páginas que podemos usar num blogue ou website.

  1. O Sitemeter é o sistema de web metrics mais popular em Portugal. Por duas razões: por ser dos primeiros a fornecer serviços gratuitos e facilmente encaixáveis em qualquer página, e por em determinada altura ter sido usado como forma de comparar as audiências dos diversos blogues.

    Para usar: abra uma conta gratuita com um endereço de e-mail válido e siga as instruções para colocar o código (uma linha) no template das suas páginas; o sistema adapta o código em função do alojamento do seu blogue, tendo indicação dos alojadores mais usados.

    O que vai obter: o básico. Quantas pessoas por dia, na última semana, mês e ano, quantas páginas mostradas nesses períodos, páginas por visitante, de onde vêm (operador), em que página entraram (últimas 100), página de saída, tempo da visita e referral (se vieram de um link noutro blogue, ou de um motor de pesquisa, ou pela lista de favoritos)

    Vantagens: simplicidade de uso. Indicado para quem dá os primeiros passos e para aqueles que não querem perder tempo com o estudo das suas audiências.

  2. O Statcounter é semelhante ao anterior, mas disponibiliza bastante mais informação, tem a informação melhor arrumada e apresenta gráficos de boa leitura. Analiza com maior profundidade: 500 últimos “hits” contra os 100 do Sitemeter.

    O que vai obter: além do básico, destaque para as keywords – os termos de busca que levaram os leitores às suas páginas. Esta informação é hoje das mais valorizadas e o seu estudo é uma disciplina à parte na optimização da escrita para a web.

    Vantagens: Apresentação gráfica e keywords. É indicado para quem queira levar mais a sério o estudo das audiências, pensando já em melhorar a escrita e a publicação.

  3. O Blogtracker da IceRocket tem uma vantagem sobre o Statcounter: é mais simples, tendo reduzido o output aos dados realmente importantes. A apresentação dos resultados é também muito boa. Sendo dos mais recentes do mercado, não admira que se mostre uma ferramenta depurada.

    O que vai obter: dados estruturados em análises diferentes (por segmento, por conteúdo e técnica).

    Vantagens: Simplicidade na apresentação estruturada dos resultados. É uma ferramenta adequada a profissionais e a amadores experimentados.

  4. O Analytics, da Google, começa a ser um padrão. Apesar de totalmente gratuita (a concorrência em regra dispõe de serviços adicionais pagos), é ferramenta capaz de satisfazer qualquer profissional. Mas não se fica por aí: é também a que fornece resultados mais sólidos, resultado provável da ubiquidade dos centros de computação da Google (a potência das máquinas e a sua pronta disponibilidade a partir de qualquer ponto da Internet são factores fudamentais para o bom desempenho deste tipo de métricas exteriores).

    Para usar: necessita de uma conta no Gmail. O procedimento é idêntico aos anteriores: umas linhas de código para integrar nas páginas a medir.

    O que vai obter: gama completa de dados, estruturados em vários tipos de saídas, com possibilidade de comparação de períodos para cada quadro. Nível de profundidade sem rival e grande quantidade de informação, directa ou cruzada. Heat maps, ou mapas quentes, que indicam através de um código de cores quais as zonas do seu blogue mais “clicadas” pelos leitores.

    Vantagens: É muito provavelmente a mais completa, programável e potente ferramenta de medição gratuita disponível online.

Embora esta seja uma aproximação básica ao mundo das métricas online, decidi complementar a lista com dois serviços específicos destinados a tipos de informação diferentes da leitura de páginas HTML.

  1. O MyBlogLog é hoje sobretudo uma vanity-tool: podemos mostrar nas nossas páginas as fotografias de alguns dos nossos leitores (veja exemplo no meu blogue pessoal, Mas certamente que sim!, na coluna lateral). Porém, mantém dentro do serviço o ponto por onde começou: a contagem dos cliques nos links que fazemos. Ou seja, permite saber quais os links que mais atrairam os leitores. Os mapas de calor não indicam a quantidade de cliques, mas o MyBlogLog fá-lo, enquadrando os resultados.
  2. O FeedBurner é uma ferramenta importantíssima: faz as contas a um tipo de leitura que escapa por completo aos demais sistemas de web metrics, externos (como os acima listados) ou internos (só disponíveis para quem tem servidor próprio, o que exclui mais de 90 por cento dos leitores do Expresso). O FeedBurner especializou-se nos feeds de XML, conhecidos por RSS (mais). Esta alternativa à leitura das páginas veio criar, entre outros, o problema de saber quantos leitores a usam e em que circunstâncias.

    O RSS é cada vez mais utilizado como canal para seguir publicações. Alguns blogues, os mais ligados à tecnologia, têm hoje uma audiência maior através do RSS do que nas suas páginas web. Noutros os números ainda não serão relevantes, mas é uma questão de tempo. Para dar um exemplo, no meu blogue pessoal (que funciona muitas vezes como laboratório) as audiências pela web têm crescido num ritmo largamente inferior ao crescimento da leitura por RSS: enquanto esta triplicou nos últimos doze meses, aquela não chegou a duplicar no período.