Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

18 de maio de 2007

Get a (second) life!

O Get a (second) life, blogue sobre as aventuras no Second Life, está cada vez melhor. Tem sido notícia um pouco por toda a Imprensa e a equipa está de parabéns, que dou à Catarina em nome de todos.

Recentemente, foi notícia no semanário Sol. Por razões que só ao Sol dizem respeito, a peça omitiu a referência à integração do Get a second life na rede TubarãoEsquilo, bem como qualquer referência a esta. A Catarina Campos, que é uma pessoa extremamente educada e correcta, fez as necessárias alusões à TubarãoEsquilo e também ao meu nome (porque estive na origem do projecto do Second Life ao encorajá-la a levá-lo a cabo). O problema não foi dela, de todo.

Pergunta: se eu não fosse colaborador do Expresso, ou se a TubarãoEsquilo fosse de outra pessoa, a peça do Sol teria omitido a simples referência à pessoa que esteve na génese do blogue e o contexto editorial em que este se situa?

Nada aqui é pessoal. Ainda na sexta-feira passada encontrei o Vitor Rainho e cumprimentámo-nos como quem não se vê há tanto tempo quanto nós não nos viamos, embora a correr (ambos com pressa).

Raramente são falados, talvez porque as pessoas os aceitam como “naturais”, mas os casos de omissão de noticiário cruzado caem na alçada do fraco, ou nulo, respeito pela deontologia e pelas regras jornalísticas. E se há casos em Portugal. Um noticiário de telejornal (noticiário: estamos a falar da informação) trata como peça noticiosa de grande destaque o êxito da telenovela da casa mas omite a mínima referência à telenovela da concorrência. Das duas, uma — e ambas más: se é realmente notícia então ambas são, e não há motivos para omitir a concorrente, ou não é notícia mas sim uma forma de promoção (publicidade) dos produtos da casa e como tal devia ser legitimamente assinalada.

Quem diz telenovela, diz qualquer outra iniciativa — ou, até, uma cacha ou o brilhante comentário de um analista da casa.

Este espisódio é caricato e não o tomo a sério (a TubarãoEsquilo só depende de si própria e quando a Catarina me relatou as ocorrências limitei-me a sorrir e disse-lhe que era natural). É apenas um exemplo do que se passa diariamente na Comunicação Social. Apenas isso.

Embora eu tenda a considerar que é uma das consequências nefastas do mercado, na verdade já existia em Portugal no tempo em que quase não havia comunicação social privada. O mercado não erradicou este mal. Pelo contrário.

Adenda: quando a Catarina e o Second Life foram notícia no Expresso, aí sim, era aceitável a ausência de menção e fiz o que podia para que assim fosse.