Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

4 de outubro de 2007

Há sempre os serventuários

A frase da noite dita pelo homem que “sabe mais do que” nós pensamos e cuja “frontalidade” é todo um programa político — e todo o programa político, pelo que temos lido. Bem, ao menos tem um.

Sinto-me defraudado. Há que tempos que não via a Quadratura do Círculo. Hoje, a SIC publicitava o programa com o título “O novo PSD” — o que me fez ficar curioso o suficiente para ir vendo enquanto despacho correio (tenho 350 mensagens nas duas inboxes…).

Afinal, vi os velhos comentaristas do costume a falarem das questões essenciais do costume sobre as figuras políticas do costume usando as frases do costume, pivoteados pelas perguntas do costume. Um programa rigorosamente previsível e que, impedido pela sua própria lógica antiga de cativar uma audiência nova, não conseguiu dar uma alegria, uma baforada, uma informação, uma explicação à sua própria audiência do costume.

Valeu-nos quando Jorge Coelho decidiu acabar, piedosamente, com a conversa da treta sobre “O novo PSD”, já não havia mesmo mais nada a redizer. Bastou-lhe, maroto, adular Pacheco Pereira com uma frase. A partir daí (e faltavam 15 minutos) só deu o ego do Abrupto e as respectivas “as suas responsabilidades no país”, para gáudio de Coelho e de Lobo Xavier, que se divertiu a bom divertir com aquela história de Menezes levar para Gaia o FC Porto, o Soares e o São João. Não, o FC Porto é outra coisa, não é o mesmo. É outra coisa. Qual? Há coisas que só Pacheco sabe e que mais ninguém sabe — e esta resposta, hoje dada por duas vezes, é suficiente.

Há sempre os serventuários — disse o ex-intelectual de Cavaco e promotor mediático de Rui Rio. Referia-se aos tarefeiros que mandam “bocas” aos jornais em vez dos líderes da tribo. (…Ups!)

Não ouvi uma vírgula decente nem “nova” sobre o PSD, mas não se perdeu tudo, vá lá, tive momentos de me divertir — o que foi bom, recordou-me quando José Magalhães também puxava das suas “coisas que mais ninguém sabe”.