Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

15 de abril de 2007

Habilitações de José Sócrates: das várias estratégias

À medida que o tempo passa e lemos o que sobra do ataque a José Sócrates mais claras ficam as estratégias dos vários lados “ameaçadores”. Já só restam no activo do ataque os blogues cujos discursos surgem por norma enfileirados com as estratégias de Paulo Portas, os restantes meteram a viola no saco (claro, já se estavam a queimar perante os seus próprios leitorados).

Assim que se percebeu o pérfido alcance colateral, o assunto caiu. Resta sempre a desculpa, muito mediática de resto, de o assunto já ter enfadado os leitores…

Os tempos convidam a leituras mais reflectivas sobre este caso. Leituras como a de Lauro António, José Sócrates e a Democracia. Teasers (negritos meus):

«Quero lá saber se Sócrates é engenheiro ou não. Não está a construir casas, está a governar o País. Dizem-me: pois mas não é isso que está em causa, mas sim o facto de a licenciatura do senhor poder ser uma aldrabice e isso definir uma personalidade e um modo de agir. Nada de mais enganoso. Se houve anomalias na atribuição do grau académico, isso tem a ver com o funcionamento das universidades, não com os alunos. Já viram o que seria da classe política portuguesa se se fosse examinar “a passagem administrativa” de tantos e tantos? Todos os que passaram pelo ensino superior entre 1974 e 1980, e até mais tarde, podem ter esse labelo colado às costas»

«Ora o que se assiste de algum tempo a esta parte é não a uma tentativa de derrube da democracia, mas a um sistemático ataque às virtudes da democracia, para a desacreditar. [...] A ditadura de hoje, muito mais sofisticada, é simplesmente económica, não tem ideologia, exerce-se nas multinacionais sem rosto, que tudo controlam em nome do lucro e que não têm pátria. Nem regime político»

E sobretudo:

«Este é um trabalho sistemático, planificado, organizado. A ideia final é demonstrar que toda a gente é corrupta, toda a gente só se serve a si próprio. O que incute no cidadão normal a ideia de que ninguém “serve o interesse comum”, todos “se servem”, logo o melhor é eu fazer o mesmo. Donde essa geração de tecnocratas sem alma que visa o proveito pessoal e nada mais. Logo cada vez mais essa sensação de total desencanto que só pode levar ao alheamento da política. Logo a instalação de uma terra de ninguém, onde o poder económico se instala sem critica e sem controlo. Logo essa ditadura sem rosto que actua a seu belo prazer, duplamente legitimada: se todos procuram o lucro, para quê criticar aqueles que vivem do lucro? Vivendo do lucro, conseguido de forma selvática, a ditadura económica não encontra oposição credível, pois esta foi destruída previamente».

Lauro António, para quantos queiram pensar.