Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de novembro de 2007

Hoje é dia de greve cantam as nossas almas

Não é que eu tenha alguma coisa a ver com isso, mas algo está errado quando se critica a marcação de uma greve para uma sexta feira, ou para uma segunda feira, com o extraordinário argumento de que os trabalhadores, esses grandes malandros, querem é fazer ponte.

Se marcam para terça ou quinta, é a mesma coisa: lá estão os madraços a forçar uma ponte para irem para a praia / centro comercial (conforme a saison).

Este é um autêntico condicionamento produzido pelo “socialmente correcto”. Greve que é greve tem de ser marcada para uma quarta feira. É também originalmente uma estupidez, como outras “regras” que emanam dos neo-guardiões da moral e dos bons costumes.

O trabalhador português é, hoje, um réprobo.

Trabalhadores são os pretos (flavor África ou Brasil) e os de Leste — cultura e socialmente invisíveis para a gente dos salões que passa por guarda avançada da sociedade. Nos guetos em que vivem não se pronuncia o palavrão “greve”, evidentemente. Os portugueses brancos que ousam fazer greve, esses são absentistas, só pensam em roubar o patrão e o Estado devia tirar-lhes os direitos mas como não o faz tiramos nós.

Não fazes greve à segunda que ficas mal visto! Nem à sexta! E à quarta, só em semanas sem feriado!

Jardim Gonçalves devia fazer greve. O “seu” banco poupava uma fortuna, aliviado, por cada dia de greve que fizesse. Mais valia ele não trabalhar. Mas como não é funcionário do Estado, moita carrasco. Os empresários portugueses são os maiores, são muito bons, são excepcionais, nunca cometem um erro, só quando têm o azar de aceitar um cargo público, ministro ou assim.

Este país não progride derivado aos trabalhadores e aos governantes do bloco central. Toda a gente sabe.

(OK: estou enferrujado. Foram 15 dias, quase 3 semanas quase sem escrever. Tenho de praticar mais.)