Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

1 de fevereiro de 2008

Imagem de todos os tempos

Gaudí é uma antena, um pára-raios da História. Como Leonardo, tal e qual. É como se ele estivesse ali, de pé, e houvesse uma tempestada no tempo e um raio atingiu-o vindo do passado, enchendo-o com toda a sabedoria da pedra, do metal e do cálculo acumulada pelas ancestrais gerações — e no instante seguinte outro raio vindo do futuro transportava desenhos, visões, mundos, planetas, formas que ele não conseguia, talvez, abarcar e traduzir para o catalão do fim do século XIX.

Tinha sonhos e delirava — mas acordava e manobrava à sua volta, conquistando, arrebatador.

Depois desenhava, febril, media, zeloso, construía, obssessivo.

Enfiá-lo na prateleira do modernismo ou da arte nova é apressado, redutor ou provavelmente sinal de fraco bestunto. Suponho que o futuro tratará Antoni Gaudí melhor que esta contemporaneidade — que, desfavorecida, expia o pecado custeando a construção do Templo Expiatório da Sagrada Família, na foto sem tempo ou lugar fixos, tirada há escassas horas no centro de Barcelona.

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