Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

2 de abril de 2007

Imprensa semanal aumenta vendas

As publicações genéricas de periodicidade semanal venderam em 2006 uma média de 394.696 exemplares por edição. Um valor superior em 21,89% face a 2005, ou seja mais 70.890 exemplares por semana. Os números são da Associação Portuguesa de Controlo de Tiragem (APCT) citados pela Meios & Publicidade (notícia APCT: Expresso vende 130 mil e Sol ultrapassa os 75).

O Expresso, para o qual trabalho, é o líder incontestado. Em 2006 teve uma circulação paga de 130.370 exemplares, um crescimento de 3,31% face a 2005.

Hugo Real escreveu que para este valor ser positivo temos que ter em conta a entrada em cena de um novo player, neste caso o Sol, que encerrou 2006 com uma média de circulação paga de 77.496 exemplares, sendo que os seus números caíram de mês para mês. É verdade que as vendas do Sol superaram em muito as do finado Independente, cujo espaço socio-político veio em grande medida ocupar. Mas foram somente quatro meses e e o número de exemplares que “trouxe” ao mercado não chegam para a melhoria de 70.000 semanais (façam as contas ao ano). A explicação é curta, temos de “cavar” um pouco mais.

A “guerra” entre os dois semanários por ocasião do nascimento do Sol fez o Expresso vender mais 130.000 exemplares (um conjunto de 390.000) somados em Setembro e Outubro, resultado da mudança de formato e grafismo e da oferta de DVD, a bem sucedida estratégia para enfrentar o nascimento do Sol. A prova de fogo foi superada com distinção — os números corroboram o que era partnte na altura. Nos mesmos meses o Sol vendeu um conjunto de 200.000 exemplares.

Esta “guerra” fez aumentar os esforços tanto das Redacções como sobretudo do marketing e dos canais de vendas — o que tem para mim um claro significado: a queda da Imprensa resulta mais de quebras de gestão e comerciais de vária ordem que do produto jornalístico e seus consumidores. Atenção, eu disse “resulta mais do que”, continuo a ser crítico face ao produto jornalístico actual, que apresenta ele próprio problemas e está numa encruzilhada mista de métodos, linguagens e técnicas.

Outra “guerra” de sector, nas revistas, está a mudar as posições relativas dos players, com a Sábado a conquistar terreno à líder Visão — porém, no conjunto estão também a vender mais.

Há ainda outra realidade que não está reflectida nos controlos da APCT nem de nenhuma outra organização — escreverei sobre isso esta quarta-feira, no Expresso online.