Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

2 de agosto de 2006

Infâmias e indignações

Uma infâmia. Efectivamente, o Estado a usar os (cada vez mais reduzidos) meios de que (ainda) dispõe para evitar a desagregação do que sobra só pode ser considerado uma infâmia. Uma blasfémia, diria eu. Uma blasfémia a que estamos habituados: desviar as atenções da origem do problema para algum dos seus sub-produtos.

A origem do problema é, recordo, a fuga ao pagamento de impostos. O mau passo dado pelo Estado para cobrar o que é seu por contrato (quem não aceita as regras pois que mude de local) é mau não por vir do Estado, ou da cor do Governo, mas porque há uma origem: as empresas que fogem ao pagamento de impostos.

A origem do problema é, recordo, a fuga ao pagamento de impostos.

A origem do problema é, sublinho, a fuga ao pagamento de impostos.

A origem do problema radica principalmente na fuga ao pagamento de impostos. A infâmia não é de agora, vem de trás.

Sucessivos governos deixaram crescer este problema, sucessivos governos foram nas cantigas de embalar do “progresso” e do “crescimento económico” deixando a situação chegar a estes níveis de ingestão. E ainda há gente capaz de achar a medida desesperada do Estado como uma infâmia (a sê-lo, a infâmia deverá recair no seu verdadeiro owner, que é o devedor endémico).

Não se soluciona a questão iludindo-a. Para mim essa sim, é a infâmia.