Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

8 de fevereiro de 2008

Interact – Quadro Interactivo na Sala de Aula

O Projecto “Interact – Quadro Interactivo na Sala de Aula” está em curso desde Fevereiro de 2006, nas salas de aula de escolas do pré-escolar ao ensino secundário, nos concelhos de Castelo de Paiva, Arouca e Vale de Cambra, na sequência de um longo processo que se iniciou em Julho de 2005, promovido pelo Centro de Formação de Entre Paiva e Caima, sendo o seu coordenador o Prof. José Paulo Santos. É ele o autor do guest post de hoje — uma das viagens possíveis sobre a aplicação da web 2.0 no ensino.

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Este projecto e respectivo blogue, desde a sua génese, procuraram a criação de parcerias, a partilha e colaboração entre escolas, entre professores, nacionais e estrangeiros. Com uma “rede social” bem mais abrangente, porque é visitado por pessoas oriundas dos quatro cantos do mundo, os contactos e os contributos vão surgindo para alargar os nossos horizontes e aumentar a nossa experiência. Em vários países, tais como o Reino Unido, os Estados Unidos (com elevada taxa de implantação), o Canadá, a França, a Espanha, a Alemanha, o México, entre outros, a utilização dos quadros interactivos em contexto de sala de aula tem-se revelado uma interessante e útil solução para o desempenho do docente e para uma maior motivação e atenção dos alunos.

Para muitos alunos e professores, o quadro interactivo (Q.I) tem sido uma nova janela aberta para o mundo. Parte-se à aventura, em busca do conhecimento, e regressa-se à sala de aula com imensas perspectivas, inúmeras ideias. Graças à tecnologia e a novas abordagens dos conteúdos curriculares, é possível envolver as turmas em projectos de exploração dos mais variados temas e assuntos, discuti-los, seleccioná-los, reconstrui-los e partilhá-los…

A construção do conhecimento pode também ser um grande momento de divertimento e de prazer, seja para o professor como para o aluno, daí ter surgido o curto vídeo “Interact… é bom brincar!”, no SAPO Vídeos. As tecnologias na sala de aula deixaram de ser o alvo principal para dar lugar à colaboração, à partilha, à imaginação e à criatividade…

Um ano apenas, após o início desta experiência, desde o pré-escolar ao ensino secundário, já nos permitia afirmar que, com esforço, dedicação e empenho, os professores e os alunos alcançam níveis de satisfação muito gratificantes para todos, incluindo os pais e encarregados de educação.

Continuemos a trabalhar, em prol de um “Portugal 2.0 – Olhar em Frente”, retomando o feliz Slogan da CISCO. O Projecto Interact é um exemplo concreto, onde as empresas, as escolas e uma instituição de ensino superior (Universidade de Aveiro – Centro de Competência CRIE) caminham juntos, visando melhorar a qualidade do ensino na era da globalização e das tecnologias.

Além de vários outros eventos ocorridos para dinamização deste projecto, houve um em particular que se realizou em Londres, de 8 a 10 de Outubro 2007, o ITiE Symposium 07. Estiveram presentes vários investigadores de renome, tais como Sir Geoff Hampton, Bridget Somekh, Maureen Haldane, Gemma Moss, Vanessa Pittard, Tom Greaves, Doug Brown, entre outros, como o famoso “America’s Educator” Ron Clark, tendo sido apresentados estudos e experiências recentes na área das tecnologias interactivas na educação, nomeadamente, os quadros interactivos.

O Centro de Formação de Entre Paiva e Caima colaborou nesta partilha através de uma comunicação realizada pelo Prof. José Paulo Santos, Coordenador do Projecto “Interact – quadro interactivo nas salas de aula”, intitulada “Interact Project – the flight of the geese” (O voo do ganso).

Foi muito gratificante darmos a conhecer um projecto em curso em Portugal, no âmbito da utilização de soluções interactivas nas salas de aula de escolas do pré-escolar ao ensino secundário, nos concelhos acima referidos.

Nesta iniciativa internacional, foram apresentados os mais recentes estudos realizados com avaliações qualitativas e quantitativas rigorosas quanto ao impacto dos quadros interactivos no processo de ensino e aprendizagem, na mudança de práticas e nas metodologias de ensino.

Tal como já temos vindo a constatar no âmbito do Projecto Interact, o quadro interactivo (Q.I) pode desempenhar um papel fundamental na integração das TIC no currículo. Porém, não é propriamente pela sua presença na sala de aula que tudo acontece… É um passe de magia lento, corajoso, persistente e árduo. Embora a sociedade e o mundo da informação e da tecnologia exijam transformações aceleradas, não podemos esquecer que nos confrontamos com um ensino tradicional, com práticas seculares…

Com a instalação prevista de 9000 quadros interactivos nas salas de aula até Abril do corrente, numa iniciativa do Plano Tecnológico da Educação, Portugal coloca-se no pelotão da frente, nesta iniciativa, a par com o Reino Unido e com o México, por exemplo.

Estamos convictos que este programa de instalação de tecnologias nas salas de aula vai ser rigorosamente acompanhado por uma sólida e alargada formação dos docentes (e não docentes!), numa preocupação efectiva de integração das TIC no currículo, no sentido de obter transformações no processo de ensino e aprendizagem com reais benefícios positivos para os alunos. (Algo que ainda está em estudo nos vários países, sem resultados suficientemente conclusivos!).

Porém, de acordo com a nossa experiência, constatamos que docentes e alunos mais “expostos” à utilização regular do quadro interactivo e ligação à Internet na sala de aula desenvolvem significativamente a sua “maturidade” em tecnologias – chamemos-lhe “e-Maturidade”, permitindo-lhes alcançar um melhor desempenho e um aumento de competências em TIC. Obviamente, a obtenção destes resultados com o uso mais correcto e criativo do Q.I implica que o docente domine múltiplas ferramentas de produção de conteúdos e que planifique cuidadosamente as sessões de aula, muitas vezes com imenso esforço e sacrifício.

Acrescente-se, contudo, que este estádio é atingido por poucos docentes, tendo em conta que o uso do Q.I. exige:

· treino regular, sistemático e gradativamente aprofundado;

· trabalho colaborativo assente na partilha de experiências, ideias e de recursos digitais interactivos;

· livre e permanente acesso a salas com quadros interactivos instalados;

· reorganização do funcionamento da gestão e administração dos espaços escolares;

· apoio, acompanhamento e regulação da actividade docente;

· tempo significativo para preparação de aulas, pesquisa e criação de conteúdos digitais;

· formação aprofundada fornecida por formadores especialistas com experiência.

Também, no âmbito da nossa comunicação, lançámos um claro desafio para a necessidade de se abrandar o ritmo alucinante que está a ser exigido às escolas e aos professores, resultante das inúmeras e rápidas alterações tecnológicas, de modo a podermos reflectir sobre o rumo do futuro da Educação, que denominámos de “Slow e-Education”, numa analogia ao movimento que tem vindo a espalhar-se pelo mundo: o “slow-food”. Para que futuro estamos a preparar as nossas gerações?! Que papel cabe à família? Que tempo se disponibiliza para o convívio, o ócio, os tempos livres, o desporto, as tradições?

Precisamos de “digerir”, organizar, sistematizar e integrar toda a informação que nos chega em catadupa, (re)definindo caminhos em segurança e com confiança. Esta visão foi aplaudida e apoiada pelos presentes! Tal como os gansos, podemos enfrentar “ventos contrários”.

Se nos mantivermos conectados e abertos à partilha de ideias, experiências, interesses, obstáculos e soluções, numa Comunidade de Prática (CdP), dificilmente perderemos o rumo e nos afastaremos dos nossos objectivos.

E desta ideia surge a comunidade de prática virtual INTERACTiC 2.0 – Escola com TiC Social que visa aproveitar as potencialidades de múltiplas ferramentas colaborativas da Web 2.0 gratuitas disponíveis na Internet para juntar pessoas capazes de reflectir sobre a Educação, metodologias de ensino e aprendizagem com recurso às TIC. Colabore connosco…