Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

17 de janeiro de 2007

iPressionante

[ actualizado ]

iPhone na infoesfera portuguesa. É iPressionante, diria, a quantidade de reproduções acríticas e wowísticas do discurso do mágico Steve Jobs contado aos parolos por uma imprensa & wannabees rendidas aos efeitos especiais e sugestionadas pelo efeito iPod.

Basicamente, é isto: o iPhone é, como quase todos os Apples, muito bonito e muito ergonómico (o segredo desta empresa é o avanço e o bom gosto em ergonomia e design), dá vontade de ter e ninguém, nem eu, escapa à iResistibilidade (embora no meu caso esteja fora de hipótese, mais depressa compro um honesto MacBook).

De resto… A apresentação impressiona, mas não pelo lado telefone. Neste particular o iPhone a) é mais caro que os “rivais”, b) é tecnologicamente inferior aos “rivais”, c) vem criar problemas à sua indústria, d) vem criar problemas aos operadores, e) tem futuro incerto, to say the least, na Europa, onde Jobs enfrentará um batalhão de operadores capazes de o comer vivo, ou pior, se não partilhar muuuuita percentagem para subsidiar um aparelho comum sem tecnologia 3G num mercado saturado de equipamentos de gama média, gama alta e gama altíssima, f) é lançado com uma arquitectura fechada que impede a escrita de aplicações.

Já pelo lado multimedia, sim, impressiona. Sobretudo o interface. Um dia, todos os aparelhos surdo-mudos — com que interagimos de forma não-natural num humano, apontando o dedo clicando — serão assim, fáceis e intuitivos. O iPhone é um passo na direcção dos wearables (artigo da Wikipedia um tanto desactualizado, o que é notícia…).

De resto… a) só lê música comprada na iTunes a) só lê música puxada através do iTunes, b) tem potencial canabalizador sobre o iPod, c) não garante à Apple nenhum mercado.

Em 1995 testei para a Revista do Expresso um aparelho da Apple fantástico, ao nível do iPhone, com uma imprensa tão wow-wowzada como esta e um bruá de lançamento na MWSF tão intenso quanto o do iPhone, embora com menos meios, naturalmente, Jobs ainda não era quintilionário. Chamava-se Newton, ouviu o caro leitor falar? Pois. Era MESMO bom, acredite.