Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

28 de fevereiro de 2005

Isto não é nada bom sinal

A UMIC abriu concurso para preenchimento de vagas no seu quadro de pessoal. É inquestionável que a acção é legal; é questionável que a acção seja politicamente correcta uma vez que há um novo governo. Até aqui, eu sigo a conversa.

Já não sigo é a partir do momento em que vejo de onde provém a contestação. Não é sequer de gente ligada ao futuro Governo. É, sim, dos ressabiados da antiga mudança de governo, quando o PSD/CDS decidiu mandar para o lixo os desenvolvimentos em matéria de Sociedade de Informação e Conhecimento (SIC) levados a cabo pela equipa de Guterres. E dos boys candidatos a jobs na área.

Para mim é líquido que os ressabiados foram na altura, há três anos, injustiçados. Para mim é líquido que tal não lhes dá direito algum a reivindicações nesta altura.

Para mim é ponto assente, diversas vezes aqui divulgado, que o executivo de José Barroso se portou mal ao mudar radicalmente as coisas, destruindo trabalho competente já realizado. Para mim é ponto assente que tal não justifica que o governo de José Sócrates faça o mesmo.

Para mim é líquido que os dois governos de coligação defenderam e defendem uma coisa e fizeram outra. Defendem (agora apontando o dedo ao futuro “choque tecnológico” antes mesmo de o conhecermos) que a SIC deve ser deixada à sociedade civil, mas fizeram o contrário. Quem mais fez pela SIC em Portugal, desde sempre e incluindo os dois últimos governos, foi o Estado. No caso através da UMIC. Isto em dois governos que defendem a iniciativa privada no sector (e voltarei a este tema pois é uma monumental estupidez histórica defender tal coisa, demagogia da mais pura: a inovação nas tecnologias de ponta, em Portugal como na UE como nos Estados Unidos veio SEMPRE do Estado ou de muito perto dele e a iniciativa privada a única inovação que trouxe foi na forma de facturar com a inovação tecnológica promovida pelo Estado, sendo absolutamente contrária à ideia de introduzir posteriores inovações pela simples razão de que estas acarretariam menos lucros).

Concorde-se ou discorde-se da tendência política na chefia do executivo, a UMIC fez o seu papel: foi um pólo de inovação. Constante. Ver que já a querem destruir, na semana a seguir às eleições, não é bom sinal. Não é nada bom sinal.

PS: Perguntam-me: quem é que quer acabar com a UMIC? Ok: se houver mais reacções, eu faço os links. Afinal, está tudo publicado online com os nomes dos inquisidores.