Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

20 de setembro de 2006

Jornal Sol: nem sim nem não, antes pelo contrário

Conhecendo-lhe, ou por outra, desconhecendo-lhe as razões porque detesta o Expresso, estava curioso acerca do que diria, se dissesse, Pedro Mexia sobre o Sol. Mas o tempo tem escasseado. Visitei-lhe o Estado Civil hoje quse por acaso. É o que esperava:

O Sol

É o que se esperava. O Correio da Manhã em semanário. Uma caca que nem tem tamanho para embrulhar tachos.

Conclusões: 1) vai ser um sucesso 2) vou ter que dizer que, comparativamente, gosto do Expresso (coisa que me chateia imenso). (em o Sol).

Aproveito o ensejo para cumprir o prometido — tardiamente porque não pude comprar o Sol e só o vi de empréstimo.

Não acho tão mau como o pintaram quer o Pedro Mexia, quer o Luiz Carvalho, para citar duas das muitas opiniões negativas que li (e nenhuma positiva). Está o que se espera de um primeiro número: bem esgalhado nas primeiras páginas, vai piorando tipo sopa da pedra, com letras ao molhe e pé na tábua, lá para o fim do corpo principal do jornal. Do ponto de vista de um jornal (penso que é o que o Sol pretende ser) o logotipo é péssimo e ineficaz. Salva-se pela graça a ideia de mudar de cor. Mas nem sempre a originalidade paga — desconfio que aqui não pagará.

A edição de fotografia é de facto inexistente. Quem conheça os mentores do projecto não achará nisto nada de estranho. Nem nisto, nem na pobreza com que certos temas, entre os quais o desporto, ficam tratados no Sol. A ligeireza temática, a aposta nas pessoas em detrimento dos factos, o tratamento superficial dessas mesmas pessoas, têm sem dúvida público — mas têm também concorrência e não irá o Sol fazer-lhe um escaldão.

O jornal Sol é um desapontamento: não vem concorrer contra o Expresso, afinal.

Mas tem algum potencial. Com um pouco mais de dinâmica, que vem quando a Redacção entrar no ritmo, o grafismo respirará. A política tem matéria todas as semanas, garantindo alguns fiéis. Pela minha parte, penso que se o Sol estiver a vender 25.000 dentro de três a seis meses, é uma aposta ganha. Para o mercado e para o panorama dos media em Portugal, que não para as expectativas anunciadas, em meu entender disparatadas.