Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

30 de dezembro de 2005

Jornalistas e presidenciais

JORNALISTAS E PRESIDENCIAIS. Manuel Pinto publicou uma curiosa nota, ao jeito do melhor fait-divers (o melhor fait-divers é aquele que consegue suscitar uma reflexão, seja esta curial ou não, não se esgotando no tema apresentado), sobre o número de jornalistas apoiantes de candidatos. Está aqui, mas eis a síntese:

Desconheço o critério do Manuel Pinto e obviamente não vou confirmar cada um dos nomes pois confio nele; suponho que deixou deliberadamente de fora figuras como Fernando Lima e Miguel Portas. Existe um Fernando Lima com a Carteira Profissional nº 254 revalidada, que desconheço se será o mesmo Fernando Lima que antes da candidatura de Cavaco Silva arrancar foi director do Diário de Notícias, um cargo cumprido a correr, lembrando um jeito de favor prestado a alguém, uma vez que Lima tinha sido nas últimas DÉCADAS assessor do mesmo Cavaco Silva. Quanto a Miguel Portas, não possui carteira profissional válida e desde que faz da política actividade prinicipal nunca mais participou numa Redacção, que eu saiba, limitando-se ao papel de cronista (que não demanda Carteira Profissional).

Estes são os dois casos que me assaltam de imediato a memória, podendo existir outros.

Da lista leio o seguinte: quando emprestam o nome, os jornalistas fazem-no em geral por causas perdidas, de grandeza simbólica mas mais ou menos anódinas. Caem bem e não trazem mal ao mundo ou aos implicados. Raramente um jornalista profissional quererá envolver o seu nome com um partido ou um candidato político vencedores, ou um grupo empresarial à beira de concretizar um grande negócio. A menos, claro, que esteja à procura de um emprego melhor remunerado e faça um favor que depois cobrará.

Outro aspecto curioso: Com uma notória excepção, o número de jornalistas envolvidos parece inversamente proporcional ao número de notícias e espaços dados na imprensa e media aos candidatos “apoiados”. Apesar dos 35 jornalistas “apoiantes”, Alegre é o candidato dos cinco principais com menos notícias nas televisões de cobertura hertziana — e as notícias com ele são as de menor duração.

Queridas “virgens” histéricas que já estão a afinar a garganta para desatarem aos berros nos comentários e por aí em mais posts inflamadérrimos sobre a Imprensa ser de esquerda, antes disso vale a pena lerem, a propósito, esta reflexão do mesmo Manuel Pinto (a quem mando um abraço e um cumprimento especial por estes dois posts).