Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

18 de fevereiro de 2008

José Sócrates na SIC: 16 valores

jose socrates na sicA prestação de José Sócrates esta noite na SIC foi boa. Numa escala de 0 a 20, nota 16. Mais que dominar linguagem da televisão, que domina, o Primeiro Ministro esteve genericamente bem, conseguindo mesmo a surpresa de se safar no impopular sector da Saúde. E teve uma vitória: onde se esperava arrogância, Sócrates saiu-se com educação.

“Eu conformo-me com isso”, disse José Sócrates a Ricardo Costa respondendo ao que classificou (e bem) de uma opinião. Um Sócrates capaz de se conformar e viver com a opinião alheia — eis a grande mudança na imagem no Primeiro Ministro que já se lhe pedia.

Sócrates entrou, também ele, na campanha eleitoral que inaugurou há três semanas com o refrescamento da equipa governamental. Mas entrou de uma forma decidida, não pedinchona. Entra ao ataque, com uma folga bastante grande, ainda, a ano e meio das eleições.

A folga sobre uma oposição que precisa de se somar e parecer multiplicada, fazendo parecer que CDS e Partido Comunista Português prosseguem os mesmos objectivos (!) ombro com ombro e de mãos dadas.

A folga de quem fez o essencial do trabalho de um Primeiro Ministro, nomeadamente no que conta: a economia. A economia deste país é uma economia fortemente dependente, com agentes totalmente encostados ao Estado. Como um planeta, não tem luz própria, reflecte o brilho da conjuntura internacional e da estrela das obras do Estado. Sócrates não manda na Economia “privada”: a iniciativa individual e a conjuntura internacional. Mas no que manda, fez o que podia. Menos Ota mais Alcochete, a luz verde para a construção do aeroporto, a terceira travessia do Tejo na Grande Lisboa e o comboio de alta velocidade é suficiente para injectar dinâmica na economia — e assegurar a segunda maioria absoluta. O resto são detalhes.

Pergunta: em que país vive Luís Delgado? O homem não lê os jornais portugueses? Não lê as sondagens? Não é capaz de interpretar os sinais? Cai-lhe mal invocar o suposto “descontentamento” do “povo” cuja morada nem com código postal parece capaz de encontrar. A crispação do seu discurso é a melhor prova de que o PSD é absolutamente incapaz de apresentar uma ideia e uma alternativa. Menezes, basista, ganha alguma coisa ao PSD intelectual (composto na sua totalidade por cinco pessoas e alguns comensais) mas em termos eleitorais ficará com pouco mais que os votos de descontentamento.