Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

13 de dezembro de 2007

José Sócrates Superstar

As vaias marcam o início e o fim de seis meses espectaculares para José Sócrates, confirmando a sua ascensão ao estrelato da política europeia.

Começou por ser vaiado internamente no início de Julho, no Estádio da Luz, por motivos suficientemente desimportantes para não passarem no crivo da história (lembramos que foi vaiado, não porque foi vaiado).

Que diferença para a vaia de ontem no Parlamento Europeu!… Uma plateia menor que a da Catedral mas muito mais importante no contexto europeu, composta por eurodeputados dos 25, catapultou o rosto vulgar, sereno e sorridente de Sócrates para o prime-time internacional.

E o que vaiaram em concreto os eurodeputados?

Vaiaram a forma que a geração de políticos-bombeiros personificada pelo nosso Primeiro Ministro arranjou para conseguir fazer alguma política activa no meio da muito democrática berraria dos “parceiros”, lobis, partidos da oposição, grupos de aconselhamento, think-tanks (e think-thanks), conselhos de notáveis, associações, confederações, tribunos mediáticos e demais instrumentos com que os interesses vencidos (e os que nunca vão a jogo) acabaram a manietar os movimentos dos eleitos para dirigir.

Sócrates não tem culpa do mau estado de saúde do sistema político vigente, que está quase a paralisar. Ou encontra forma de fazer, ou acaba como elemento decorativo de tribunas ricamente decoradas.

A julgar (também) pelas vaias, está a encontrar forma de fazer. Se bem ou mal, é outra história.

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