Certamente!

Paulo Querido. Na Internet desde 1989

2 de agosto de 2006

Justos céus

Foi preciso vir o Estado publicar a Lista dos Grandes Caloteiros e Falsos Promotores Da Economia Nacional para vermos João Miranda largar a máscara de “liberal” e dar a cara pelo capital. O discurso do menos Estado, melhor Estado (ou mesmo: fim do Estado, o mercado passa bem sem ele) cede subitamente o seu lugar ao discurso da obrigação do Estado em manter o status quo e o modus operandi das grandes empresas — no fundo, pede que o Estado assegure os mecanismos que permitem a uma empresa desonesta continuar a sê-lo mantendo tudo no segredo do Ministério das Finanças.

Miranda apela aos incautos com uma frase pintada de bom senso por fora mas venenosa por dentro: «Não pensem que este é um problema apenas dos desonestos que fogem ao fisco. É um problema de todos porque ninguém está livre de ter problemas financeiros temporários» (link). Está enganado. Eu tive problemas financeiros temporários na vida mais de uma vez e nalgumas ocasiões devi ao Estado — nunca me tendo sentido desonesto por causa disso, nem nunca ninguém me chamou tal coisa. Não conheço um único caso de alguém pontualmente entalado que visse o nome queimado por causa disso. A sociedade (e até o “seu” mercado…) sabe reconhecer e perdoar (e até ajudar, com “generosos” juros) alguém em apuros pontuais, e penalizar (se tiverem forma…) os desonestos. Assim saiba quem eles são.